Forever Young

Viver para sempre ? Impossível. Viver bem ? Depende só de nós...

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O primeiro grande triângulo amoroso ( parte IV ).

Pessoal, perdi um pouco o foco dessa história no mês de maio, por vários acontecimentos, entre eles o defeito no meu pc. Essa parte do blog ( Vida Afetiva ) mexe com minhas memórias e preciso ter motivação enorme pra lembrar dos detalhes e traduzí-los em palavras. Bom... vejamos onde parei...

Estava feliz com o andamento do meu namoro. Ela me entendia, me mimava ( até demais ) e meus pais gostavam muito dela. Era relativamente fácil namorar com ela naquele momento. Eu podia namorar em casa ( economizava ) e também passava mais tempo com ela por trabalharmos juntos.

Nossa primeira vez ocorreu de uma forma muito especial. Na verdade eu tava inseguro... temia não correspondê-la da melhor forma, mesmo tendo uma certa experiência. Tinha medo também de me desconcentrar lembrando do Juan ou até mesmo da Angela ( a única garota com quem transei até aquele momento ). Mas nesse dia tudo fluiu naturalmente.

Era uma sexta-feira bem agradável, clima de páscoa, que seria na semana seguinte. Ficamos vendo o mar, tiramos fotos e depois fomos ao teatro. Passamos numa loja e acabamos comprando chocolates... ela quis pagar e me pediu pra esperar lá fora. Estranhei bastante, mas fiz a vontade dela. Na volta, aqui em casa, ela pediu pra tomar banho primeiro. Fiquei esperando e depois fui banhar-me também, após um longo dia.
Quando voltei, ela estava deitada na minha cama com uma lingerie nova ( comprou escondida naquela hora ) e comendo chocolate branco de uma forma super sexy. 
Acho que nunca esquecerei dessa cena.
Ela sabia como mexer com o brio de um homem. Aquilo minou qualquer vestígio de insegurança que havia em mim. Tudo fluiu da melhor forma.
Foi interessante, porque não tinha com quem comparar o que tive com a Angela. Achava que ela era a melhor e que não existiria nenhuma garota que a superasse... vi que era balela.


A diferença entre as duas era de 10 anos. Muita coisa, creio eu. Mas a Mariane era bem madura pra idade que tinha ( 20 ). Esse era um dos problemas. Eu não sabia bem o que queria e ela já tinha tudo planejado. Isso me assustava. Ela chegou a falar em casamento, ter filhos em alguns anos, após formados. E eu, mesmo com 24 anos, não cogitava nada disso... principalmente quanto à filhos.

Na verdade esse tornou-se meu grande dogma quanto à namorar mulheres. Parecia que todas só pensavam nisso: ter filhos. Há uma cobrança muito grande da sociedade nesse sentido, como se a mulher só se realizasse sendo mãe. Repudio tudo isso. Acho que um filho deve ser fruto de um profundo planejamento. Os pais devem ter no mínimo casa própria, carro e estabilidade no emprego. Sem isso é suicídio colocar uma criança no mundo. Muita gente tem filho pra deixar com os pais. Acho que meus pais já tiveram trabalho o bastante comigo. Seria procurar sarna pra se coçar... mas isso é um assunto pra uma postagem em separado... rs.

O fato é que esses desencontros de planejamento contribuíram para uma reaproximação com o Juan. Não queria dar esperanças à ela quanto à casar e ter filhos, ainda mais no início de namoro. Acho que isso é um assunto pra quem já namora há anos. Mencionar isso com menos de um mês de namoro me amedrontou bastante.


No final de semana seguinte fiquei de pegar meus pertences na casa do Juan e estava decidido a abrir o jogo , dizendo à ele que tava namorando.

Continua...

O primeiro grande triângulo amoroso ( parte III ).

Pessoal, continuando a história e falando do início de namoro com a Mariane. Bom, é uma fase que eu tenho guardada com carinho na minha memória. Aquela música não era exagero, ela era tudo o que eu precisava.


Mas não tardou muito para que o Juan soubesse que eu tava com ela. Cheguei a ser acusado de estar "negociando" com ela estando com ele ainda. Nesse primeiro momento eu tava na empolgação de início de namoro e nem liguei pra isso. Queria mesmo era curtir aquele momento.


Estávamos numa fase "grude". Saíamos do trabalho e na maioria das vezes ficávamos aqui no meu quarto, no maior love... rs. A química tava rolando e eu tava um pouco ansioso pra primeira vez. Ela deixava bem claro que queria... mas eu tinha várias coisas bloqueando minha mente... rs. Na verdade iria rolar no meu aniversário, mas senti um bloqueio, sei lá... mas ela foi super legal e compreensiva e resolvemos deixar pra próxima.


Eu tava tão gamado nela que mandei entregar flores lá no trabalho, como anônimo ( mas na verdade todos sabiam que fui eu ). Ela ficou emocionada, quase caiu pra trás. Era uma garota especial: eu tinha muito medo de decepcioná-la. Apresentei-a aos meus amigos e todos eram unânimes, dizendo que ela me fazia bem e que era super legal e educada. Era alguém que eu poderia levar pra qualquer lugar... me sentia livre, incrível!


Por alguns dias eu esqueci do que passei com o Juan e me concentrei para fazer meu namoro dar certo.
Ela morava um pouco longe de mim... algumas vezes eu a levava em casa. Era uma viagem meio cansativa, ela vinha no ônibus, deitada no meu ombro. Eu sentia saudade desses tipos de carinho em público... chegava a pensar que com ela valeria a pena ser apenas hetero.


Continua...




O primeiro grande triângulo, parte II.




Pessoal, continuando a história... aquele final de semana foi bem confuso pra minha cabeça. Esperava, mesmo que sem querer uma ligação do Juan, querendo se acertar comigo, o que não aconteceu. Esperava também ter vontade de sair com a Angela... o que também não ocorreu. Na verdade eu estava balançado pela proposta especial da Mariane, que mexeu com meu ego e atingiu meu coração.


Resolvi aceitar a proposta, na segunda feira, e começamos a namorar. Ela terminou com o garoto que trabalhava lá. Fiquei com receio de que ele criasse confusão e concordamos de manter segredo nos primeiros dias, pra que não achassem que ela o traiu.


Na verdade era muito difícil disfarçar... os olhares eram bem intensos. Ela era tudo o que um homem precisava Inteligente,linda e segura de si. Ficava pensando o que ela viu em mim... rs. 
Me deixei levar pela empolgação de início. Trouxe ela aqui em casa e meus pais adoraram: por dois motivos... acharam que eu tava "curado" e ela era a nora que toda sogra queria.
Os beijos eram intensos e apaixonantes. A química tava muito boa. Ela era charmosa e sexy de uma maneira simples, sem ser vulgar. Mesmo sendo 3 anos mais nova que eu, ela parecia ter uma cabeça de uma mulher mais madura: sabia o que queria. Engraçado, isso às vezes me assustava. Tava acostumado a namorar pessoas meio que sem rumo... rs.


O que eu recuperei nessa época foi o convívio com a minha família. Afinal, poderia levá-la onde quer que eu fosse. Isso ficou provado no meu aniversário, em que comemoramos todos numa churrascaria. Na verdade ela foi um dos melhores presentes que já tive nessa data. Era super dedicada, amorosa e me mimava bastante. 


Nesse dia deixei até meu celular em casa. Quando vi haviam mensagens do Juan e da Angela, querendo me ver e me dar os parabéns por esse dia. Mas eu estava literalmente longe. Curtindo um momento meio que de êxtase. Queria aproveitar cada minuto, enquanto as dúvidas não me assombrassem...





Things Don't Always Turn Out That Way

Well he can't sleep at night
And he can't do what's right
It was all because she came into his life
It's a deep obsession, taking up his time


(Chorus)
She's all that he wants, she's all that he needs
She's everything he just won't believe
Take away his doubt, turn him inside out
Then she can see what he's been dying to say
But the things don't always turn out that way


And he must confess
All the impure thoughts of his beautiful temptress
Although he keeps it all bottled up inside
Although he keeps it all safe within his mind, oh yeah

(Chorus)
She's all that he wants, she's all that he needs
She's everything he just won't believe
Take away his doubt, turn him inside out
Then she can see what he's been dying to say
But the things don't always turn out that way

So wipe that smile off your face
Before it gets too late
There's only so much time
For you to make up your mind

(Chorus)
She's all that he wants, she's all that he needs
She's everything he just won't believe
Take away his doubt, turn him inside out
Then she can see what he's been dying to say
But the things don't always turn out that way


As Coisas Nem Sempre Acabam Desse Jeito

Bem, ele não consegue dormir de noite
E não sabe fazer o que é certo
Tudo porque ela apareceu na vida dele
É uma profunda obscessão, tomando o tempo dele


Refrão:
Ela é tudo o que ele quer, Ela é tudo o que ele precisa
Ela é tudo ele apenas não vai acreditar
Tire a dúvida dele, vire-o do avesso
Então ela verá o que ele tem morrido de vontade de dizer
Mas as coisas nem sempre acabam desse jeito

E ele deve confessar
Todos os pensamentos impuros da sua linda tentação
Mesmo que ele mantenha guardado dentro dele
Mesmo que ele mantenha tudo a salvo em sua mente, oh yeah

Refrão
Ela é tudo o que ele quer, Ela é tudo o que ele precisa
Ela é tudo ele apenas não vai acreditar
Tire a dúvida dele, vire-o do avesso
Então ela verá o que ele tem morrido de vontade de dizer
Mas as coisas nem sempre acabam desse jeito

Então tire esse sorriso do rosto
Antes que seja tarde demais
Há muito pouco tempo
Pra você se decidir

Refrão
Ela é tudo o que ele quer, Ela é tudo o que ele precisa
Ela é tudo ele apenas não vai acreditar
Tire a dúvida dele, vire-o do avesso
Então ela verá o que ele tem morrido de vontade de dizer
Mas as coisas nem sempre acabam desse jeito


Essa música resume o momento em que eu vivia!!


Março de 2009: Nasce o primeiro grande triângulo amoroso ( parte 1 ).


Já ouvi muita gente falar que às vezes alguém que nos ama está bem perto e não enxergamos. Isso já aconteceu comigo, no caso da Angela e do Juan. Mas não esperava que acontecesse o contrário, de alguém perceber que gosta de mim... rs.
Na última postagem contei sobre o desgaste em que a minha relação com o Juan estava. Ele pediu um tempo, não aceitei, porque conhecia muitos casos de pessoas que pedem um tempo pra pular a cerca e ficar de consciência limpa. Falei que se fosse pra dar um tempo, era melhor terminar. Foi o que ele fez.
Fiquei com raiva, chorei, fiquei triste... nessa mesma semana, a Angela me ligou. Disse que tava com saudade, etc... eu tava carente, pensei em voltar a sair com ela.
No trabalho, o pessoal notou que eu tava cabisbaixo. Antes do ocorrido eu usava um anel de compromisso e todos repararam quando tirei. Foi uma época em que eu tava com poucos amigos lá, porque houve uma série de mudanças de setor. Somente 3 garotas que trabalharam comigo no antigo setor estavam ali nessa fase. Uma delas era meio burrinha, outra era piranha mesmo e uma que já me chamava um pouco a atenção.
Esta última se chamava Mariane, tinha 20 anos. Era inteligente, esperta e competia comigo nas vendas no antigo setor. Éramos os 2 melhores da equipe do seguro residencial, tanto que fomos indicados por nossas supervisoras para vender um produto melhor. Havia um boato que ela já havia saído com dois garotos de lá e nessa época ela tava namorando sério um outro, chamado Danilo. Antes dela namorar com ele, eu brincava com ela sobre quando " a fila ia andar " . Aí ela falava que já andou e apontava pra ele, que não ligava, pois achava que ela nunca olharia pra mim.
Esse Danilo foi trabalhar em outro andar e ela passou a ficar mais perto de mim. Em um dia que eu tava triste, pelo término, contei a ela que pretendia ver a Angela, mas que não confiava mais nela e que não seria nada sério. Ela disse que era contra eu sair com a Angela. Perguntei o porquê e ela ficou em silêncio. Isso após duas semanas que o Juan terminou o namoro, sendo que ele não me procurou mais.
No dia seguinte, a Mariane tava bem quieta. Perguntei o que houve, ela disse que tava numa dúvida cruel. Depois de um tempo ela me passou um bilhetinho, dizendo que tava gostando de mim. Chamei ela no refeitório pra conversar. Disse que ela poderia estar confusa e lembrei que ela tinha namorado. Ela disse que se eu quisesse namorar com ela, terminaria com ele naquele dia mesmo...



Pessoal, imaginem o choque de emoções que rolou na minha mente. Eu tava com a auto-estima lá embaixo e essa menina fantástica vem e diz isso pra mim ! Achei que fosse brincadeira. Ela disse pra eu pensar, no fim de semana e dar a resposta a ela na segunda feira. Passei sábado e domingo pensando o que fazer. Havia marcado de sair com a Angela, mas também esperava inconcientemente uma ligação do Juan, pedindo pra voltar, se dizendo arrependido. Achava que era cedo demais pra começar outro relacionamento, mas precisava muito " respirar novos ares". Com a Angela eu poderia ficar sem compromisso e poderia me acertar depois com o Juan. A outra alternativa seria eu dar um tempo sozinho e esperar a poeira baixar.
Isso tudo na semana que antecedia meu aniversário!
Continuarei no próximo post.


Nessa época eu tava devorando o cd " All I ever wanted " da Kelly Clarkson, recém lançado...

Fevereiro 2009: Início da temporada "Viva la vida " !

O ano de 2009 foi muito marcante na minha vida... parece que fiz tudo que tive vontade... arrisquei mais, fui feliz e infeliz ao extremo em pouco tempo. Aos poucos vocês entenderão o porquê...

Bom, o namoro com o Juan não ia nada bem... desconfiança, medo, intrigas e muitas outros fatores nesse período. No trabalho dele haviam muitos gays, muitos mesmo! E ficavam cobiçando ele. O que me irritava é que ele não dava um fora neles, dizendo que tinha namorado, preferia ser educado. O ápice foi quando um desses garotos mandou pro orkut dele uma montagem de fotos do Juan, com música de fundo e tudo mais... esse mesmo garoto mandava scrap dizendo que tava com saudade em todas as folgas que o Juan tirava. Ali meu sangue ferveu. Exigi uma atitude e que se ele não resolvesse eu iria resolver do meu jeito. O Juan preferiu pagar pra ver... não deu um jeito nele. Pagou um preço por me desafiar. Ele gostou de me expor ao ridículo, então paguei na mesma moeda, só que de um modo criativo. Simulei uma conversa pelo orkut: eu mandava scraps como se o Juan estivesse me mandando também... nesses scraps eu respondia dando conselhos a ele de como se livrar do garoto e que se ele deixasse bem claro que tinha namorado isso não ocorreria... acho que foi a primeira conversa fake da história... rs. Rapidamente o garoto se manifestou no orkut dele, perguntando se era com ele. Não sei no que deu, mas ele deu uma sumida. O Juan ficou furioso com isso... falei que estávamos quitis e que isso servisse de lição para que ele tivesse mais atitude.

O clima ficou tenso, muito tenso. Piorou quando ele passou a ficar mais tempo no trabalho, dizendo que era pra ser promovido. Depois que ele admitiu de gostado de outro cara, mesmo eu estando por perto e não deixando nada faltar pra ele eu nunca mais fui o mesmo. Parece que foi ativada uma bomba-relógio... sei lá...
Vocês podem estar imaginando que sou um maníaco possessivo. Em parte é verdade, costumo defender com unhas e dentes tudo o que é meu... e neste caso, meu namoro. O medo de perder nunca foi tão ameaçador, nunca havia sentido algo assim, nessa intensidade. Era proporcional ao meu sentimento e ao esforço que fiz até ali para estar com ele.Ao mesmo tempo que eu sentia falta de um carinho mais explícito, pois ele era muito fechado nesse sentido e eu tava acostumado a ouvir sempre um " Eu te amo" , ficar de mãos dadas e ser elogiado. Tá certo que amor não se cobra, mas chega uma hora em que fica difícil manter o controle.
Mas ficou um impasse imenso, pois a falta de confiança mina qualquer relação, que em contrapartida tinha amor, companheirismo e amizade. Mas será que seria o suficiente?


" Me diga o porquê... de eu não ser bom o bastante pra vc... " ( Sarah Mclachlan - Good enough )

Janeiro/ Fevereiro 2009: Fim da primeira temporada com o Juan...

Fiquei um tempo sem postar sobre essa história, porque ando esquecendo algumas coisas. Minha memória não costuma falhar, mas dá sinais de cansaço... rs.
O ano de 2009 começou com o sentimento de que eu não era o bastante pra ele, porque permiti que ele gostasse de outro cara. Comecei a ficar paranóico pensando no que deixei faltar a ele pra que isso acontecesse.
O Juan deixou bem claro que nunca falaria pro cara do trabalho o que sentia, por respeito a mim, por não ter atitude pra isso e porque achava que ele era hetero. Cheguei a pensar que ele sentia pena de terminar comigo pra se arriscar com esse supervisor.

Na verdade foi a época em que começamos a notar todas as nossas diferenças. Vivíamos na sombra do que foi o nosso início perfeito de relação e não conseguíamos voltar àquele nível, seja de amor, seja de compreensão, seja de confiança... ele se deu conta de que eu não era nenhum príncipe encantado e eu de que ele não estava disposto a se arriscar por mim.
Não sei se arriscar é a palavra certa, mas sempre dei " a cara pra bater " quando se tratava do nosso namoro. Comprei briga com Deus e o mundo. Defendia nossa relação com unhas e dentes de tudo que vinha de fora. Paguei um preço alto por isso: me afastei dos meus pais, um pouco dos meus amigos, até de alguns hobbies... mas foi tudo de uma forma tão instintiva que eu não notava. A paixão somada com o amor faz isso conosco. 
Ele, em contrapartida, fazia o básico. Nunca me surpreendia em nada em questão de afeto. Chegava a ser seco. Eu sabia disso quando quis namorar com ele, mas não sabia que me afetaria tanto. Detesto estar em segundo plano e às vezes ficava em terceiro, atrás da família dele e do trabalho.
Aliás nessa época apareceu a chance de mudar de turno no meu trabalho. Aceitei na hora, sem pensar. Passei para o turno da manhã, para ter mais um tempo com ele. Eu sairia às 15:00hrs. Ele saía às 16:00hrs. Ficava esperando ele sair na maioria das vezes, levava ele em casa e tudo... pegava trânsito, gastava dinheiro de passagem na época e tudo. Mas parecia que não tinha muito valor pra ele. Se tinha, ele nunca demonstrava. Chegou a comentar que só mudei de horário pra ficar seguindo os passos dele, etc. Esse tipo de ingratidão foi me tornando amargo, cada vez mais...
No nosso aniversário de namoro viajamos pra Petrópolis, mais pra não passar em branco. Mas não havia muito o que comemorar. O passeio foi legal, mas ele confessou que tinha dúvidas sobre o sentimento que tinha por mim... achava que se sentia culpado pelo que passei pra estar com ele e se via na obrigação de estar comigo. Falei que não queria que fosse assim, que eu não precisava disso.


Foi um aniversário de namoro um tanto quanto melancólico.

E termino aqui a 1ª temporada dessa série... resolvemos deixar o tempo agir. Mas nunca fui fã disso, sempre quis resolver com minhas próprias forças. Nessa época, quando pensava nele ouvia a música "Black is the colour" da minha banda The Corrs. É uma regravação e acho a música linda, principalmente o refrão que me lembra ele. Segue a letra, com a tradução, a quem interessar...


Novembro/dezembro 2008: Tão perto... tão longe...

Um fato que deveria ser comemorado, chegou em um momento conturbado. Finalmente estávamos trabalhando no mesmo prédio. Mas a relação estava extremamente arranhada e também nossos horários não coincidiam...

O novo emprego foi ótimo para me distrair dos pensamentos ruins e eu também tava sofrendo com a falta de dinheiro. Conheci pessoas bem legais lá. Comecei muito motivado, a supervisora era excelente e a equipe era inteira de novatos como eu, o que meio que evitava um choque de egos. Meu entusiasmo logo se transformou em resultados. Vendíamos seguros residenciais para um banco, por telefone. Consegui vender uns 20 em duas semanas, sendo que a meta era 1 por dia, pra terem a idéia de como era difícil. Imagina convencer um cliente por telefone a aderir a um seguro que descontará mais de R$30 por mês em sua conta corrente? Era isso.

Bem que o Juan havia me falado. O ambiente de telemarketing tem muitos gays. Um deles me chamou a atenção. Começamos a conversar por msn e perguntei na cara de pau se ele era gay. Ele confirmou e eu falei de mim e da minha situação. Ficamos meio que flertando, mas faltava coragem pros dois pra tentar algo a mais. O Juan , que tem um faro danado pra isso, viu ele no meu orkut e já desconfiou e perguntou quem era... rs. Na época foi bom, porque no trabalho dele havia dezenas dando em cima dele e mostrei que não tava de bobeira também.

Voltei a ter uma boa relação com o Juan. Muitas vezes no horário do meu lanche eu descia pra vê-lo ou levá-lo no ponto e nos finais de semana ia na casa dele. Mas sentia uma certa frieza da parte dele. 
Semanas depois ele confessou que tava gostando de um supervisor, mais velho que ele e tal...
Aquilo me destruiu na hora. Foi uma sensação de morte, chorei muito. Nunca esperava que acontecesse com ele, sempre tão fechado. Ele tentou me tranquilizar dizendo que queria ficar comigo e que ele nunca saberia o que ele sentia. Achei humilhante. Comecei a ficar paranóico ali. Queria saber quem era o cara, custe o que custar. Eu tinha uma liberação pra entrar no trabalho dele, da época que fiz treinamento lá. E às vezes esperava ele no próprio andar dele, mas na maioria das vezes esperava lá embaixo. Ele começou a se sentir incomodado. Dizia que não podia sair do elevador conversando com ninguém porque eu estava pronto pra atacar o primeiro que aparecesse.

Foi nessa época que, por ter perdido a confiança, passei a aparecer de surpresa nos finais de semana pra buscá-lo. Não avisava, parecia que queria pegar em flagrante. Mas nunca via nada, no máximo ele conversando com garotas. A paranóia tava me matando... nessa época desabafava por telefone com a Debb e no trabalho com a Marceli, que disse que tb gostava de garotas ( me deixou mais à vontade).

Nosso primeiro final de ano juntos foi repleto de incertezas sobre nossos sentimentos. Ele descobriu um problema sério de saúde: um cisto perto do nariz. Ele tinha medo que evoluísse para um câncer. E todos os dias sofria com uma forte dor de cabeça. Nessas horas eu tentava apoiar, mas na verdade era eu que me sentia doente.


Passamos o reveillon na casa dele, dormimos abraçados. Ele estava chorando e passando mal. Mas disse que o choro era porque ele não pôde me dar um reveillon de alegrias como eu esperava. Eu disse que já não me importava com isso. Só queria estar perto dele. Depois de tudo o que passamos, esses problemas pareciam pequenos...

Setembro/ outubro de 2008: Cai a máscara... a 1ª grande mentira !

Nesse período lembro que passei a frequentar a casa dele: conhecendo a mãe, principalmente, e os irmãos.
A relação com ela era excelente, ela não se mostrava preconceituosa, apenas estipulava alguns limites.
Quanto aos irmãos, me dava hiper bem com o mais novo, de 12 anos. Ensinei-o a jogar poquer, ele gostou muito e passou a jogar no pc. O irmão do meio era legal também, falávamos de futebol, até de relacionamentos. Ele foi o primeiro, depois da mãe a descobrir do nosso namoro. O Juan deixou logado o orkut e o irmão leu uns depoimentos amorosos que mandei. Ele veio numa boa me perguntar pelo msn se eu tinha algo com o irmão dele. Perguntei o porquê da pergunta e ele me explicou. Confirmei que sim, depois avisei o Juan.

Esse mesmo irmão passou a fazer umas piadinhas , mesmo em tom de brincadeira com o Juan. Eu não gostava nem um pouco e fui falar com ele. Isso foi só o começo. Não percebi o quanto me envolvia com todos naquela casa. Tentava até agradar a irmã menor às vezes, o que não é do meu feitio, pois não tenho a menor vocação para crianças. Na verdade, eu queria mesmo era agradar o Juan, pois sabia que ele dava muita importância à família. Às vezes eu dormia lá nos finais de semana e dava uma desculpa esfarrapada aqui. Me arriscava demais.
O curioso é que me sentia um ser de outro planeta na casa deles. Acho que por ser carioca e filho único estranhei o modo de vida deles, vindos em sua maioria do nordeste do país. Era uma espécie de comunismo... tudo era de todos... quase uma república. Eu me acostumei a ter minhas coisas, minha privacidade. Prefiro o capitalismo nesse sentido.

Nesse mesmo mês de outubro, consegui finalmente a trabalhar, após tantas furadas que entrei. O destino quis que eu trabalhasse mesmo no mesmo prédio que o Juan, só que em outra empresa, que tinha mais a ver comigo. Passei a vender seguros bancários, ligando pra casa das pessoas. Me saí super bem...
Conheci uma amiga nessa empresa que tenho até hoje : a Marceli...

Pouco tempo antes eu voltei a ter contato com a Debb, minha ex nº2 , conversávamos muito por telefone e msn. Aos poucos contei a ela minha história e porque não deu certo meu namoro com ela. Ela passou a ser minha melhor amiga e confidente ( substituindo um pouco a Ana, que sumiu aos poucos ).

Porém a relação com ele não havia se concretizado ainda. Até porque descobri uma mentira dele em relação ao Loco ( ex). Fiquei sabendo da pior forma, o próprio Juan me contou, mas em um momento que eu já tava triste. Perdi ali um pouco da confiança e da pureza do sentimento. A raiva tomou conta de mim: sensação de que comprei gato por lebre... ele fez eu acreditar que era algo, mas que na verdade não era. Não sei se por vergonha ou por achar que eu o julgaria ou desistiria dele. Insisti em dizer que ele mentiu, em contrapartida ele dizia que omitiu. No fundo eu sabia que essa relação de proximidade com o ex-dele ( meu amigo ) me traria problemas. Fiquei com nojo dos dois por um tempo e passei a evitá-los.

Aí num passe de mágica, a Angela aparece. Me liga, dizendo que tá com saudade, etc... e vem aqui em casa. Eu, carente do jeito que estava, fiquei com ela. Transamos e depois levei-a no ponto de ônibus. Engraçado é que ela devia achar que ainda tava no controle e que eu ainda fosse o marionte dela ( mal sabia que pela primeira vez, ela foi a usada ).

Mesmo separado do Juan, me senti culpado. Acabei contando a ele, não sei se por culpa ou para me vingar da mentira em relação ao passado. Lembro que ficamos um mês sem nos falar depois disso... Moral da história: A confiança é como um cristal. Depois de quebrada é quase impossível recuperá-la. 

Obs: A música abaixo é do meu cd oficial pra deprê: No need to argue ( The Cranberries ). O cd começa com músicas pra chorar, depois te recupera... impressionante! É um dos melhores cds que já ouvi até hoje.

 

Julho/agosto de 2008: Meses quase perdidos...

Nessa época, o Juan voltou a se dar bem comigo. Não cogitava ainda uma volta, mas paramos um pouco de brigar. Nessa época, concordamos em ir pela primeira vez a um motel.
Tava com muita saudade de sentí-lo, tê-lo na cama como antes... era uma das poucas coisas que não gerava discórdia... na hora H... 
O lugar era bem legal, perto do trabalho dele. Discreto, limpo e barato. Deu pra ele esquecer um pouco do trauma de motel... uma vez, ainda com o Loco, fizeram comentários maldosos... os próprios funcionários do motel. Se fosse comigo não ia deixar barato.

Nessa época consegui um "emprego" bem onde o Juan trabalhava. Fiquei com um pé atrás: a empresa era mal falada, pagava mal e não era o que eu queria. Mas eu tava sem dinheiro nenhum e não quis recusar.
Fiz 30 dias de treinamento, de 6 às 12hrs. Acordava 4:30 da madruga!
A única coisa boa era que conseguia ver o Juan todos os dias. Guardava metade do meu lanche pra ele e ficava esperando ele chegar na entrada do prédio. Ninguém entendia nada, a pausa era curta e só quem descia era quem fumava. Os dias em que eu não conseguia descer pra vê-lo eram os mais sem graça daquela fase.

Passado o tormento, fiquei esperando a contratação. Só que eles perderam a ficha de todos que fizeram o treinamento e não chamaram ninguém da turma. Amadorismo total! Se eu já tava puto, imagina quem morava longe ou era chefe de família...

Mudando de assunto, em agosto foi o aniversário do Juan. Era dia dos pais também. Saímos pra conversar e comer uma pizza. Perguntei se ele tava pensando na nossa relação, que tava estagnada. Terminou o namoro, mas continuamos ficando, nos falando todo dia e sendo fiéis. Ele sempre foi fechado, nunca sabia o que passava na cabeça dele...
Quando entramos no ônibus ele apertou minha mão e disse que tava pensando em como seria nossa relação dali pra frente. Pediu que eu desse tempo ao tempo...

Nunca diga isso a um ariano!!



Junho/julho de 2008: Inferno astral

Lá estava eu, trabalhando de novo... achando que poderia me distrair da briga com o Juan e não pensar nisso. Mas a antiga gerente da loja que eu trabalhei me odiava ( na verdade era recíproco ). Ela fez de tudo pra envenenar a cabeça do meu gerente atual para que me demitisse. Ele até quis me dar um " voto de confiança " : disse que se eu realmente não fiz nada a ela, que fosse lá me entender com ela.
Achei o cúmulo e preferi me demitir.

Voltei pra casa, imaginando como seria... o clima continuava pesado com meus pais, ainda mais eu estando desempregado. A situação com o Juan continuou paralisada, não sabíamos o que iria acontecer: ele tava em uma fase de insegurança, sempre achou que se a Ana ou a Angela estalassem os dedos eu largaria ele.

Sinceramente nunca me passou pela cabeça isso. Ele não enxergava que se eu realmente quisesse algo com a Ana, por exemplo, não contaria que tava namorando um garoto, muito menos levaria pro apê dela... seria uma tática muito estranha de conquista!
Isso somado ao fato de eu ter cogitado morar no apê da Ana, quando as coisas esquentaram. Ele jogou na minha cara que isso sempre foi o meu sonho e blá-blá-blá...

No dia seguinte à minha demissão, parecia que tava tudo desmoronando na minha cabeça. Sou muito ligado à lembranças. Fui caminhar na praia e parei exatamente onde fiquei abraçado com ele uma vez.
Aquela depressão bateu de uma forma... que não dava pra descrever. Várias perguntas na minha mente: Se valeu a pena ter me arriscado por ele, se ele realmente me amava...
A vontade que eu tava era de me jogar no mar, mas sou tão medroso e tenho tanto receio, especialmente com o mar, que fiquei só na vontade. Nessas horas é horrível ser careta, não fumar, nem beber... rsrsrs

Liguei pra ele, no desespero, mas na ânsia de chamar a atenção. Ele tava frio, achando que eu tava fingindo. Mas na verdade fiquei sabendo pela mãe dele que as coisas lá estavam críticas, que o padrasto saiu de casa, bêbado ( e possivelmente usando drogas ) e ameaçou matar todo mundo, inclusive o Juan e a irmã dele, de 3 anos. Ali foi um baque pra mim. Me senti bem infantil, chorando no telefone com a mãe dele e ela me ouvindo, com um problema bem maior, dizendo que eu não tava sozinho, que podia contar com ela...
 
 


Maio/junho de 2008: Aquele em que o Loco fica sabendo...

São tantas coisas a se puxar pela memória que acabei me esquecendo de um fato bem interessante.
Em maio, resolvi contar ao meu amigo Loco, sobre meu namoro.
Ele era o amigo que eu tinha mais receio de contar: afinal ele não sabia de mim e o Juan foi talvez o único namoro sério que ele teve. Fiquei com medo que ele me odiasse.

Tentei preparar ele, enrolar... mas resolvi contar de uma vez... igual quem arranca um band-aid! 
- Tô namorando o Juan!
Ele não entendeu muito bem, até costuma se fazer de surdo, mas depois de uns minutos absorveu. De uma maneira estranhamente calma... se fosse comigo ficaria p*... choraria, sei lá... 
Até hoje não sei o que se passou na cabeça dele e se ele estava preparado pra isso, mesmo passados 5 meses do término dos dois...

Continuamos nossa amizade, que em alguns pontos melhorou bastante, pois ele não precisava mais fingir que não era gay ( até achava que eu julgaria ), mas em alguns pontos ficou esquisito, pois eu tava sempre com o Juan e seria estranho sair os 3 como antes.

Ficou estranho pra mim ( meu amigo já namorou meu namorado ) , pro Loco ( o amigo namora o ex-namorado dele ) e pro Juan ( saber que o atual e o ex andam juntos ).

O legal é que quando eu precisava de um conselho, ja tinha um expert em "aturar" o Juan, já que eles namoraram quase um ano. Os conselhos sempre foram ácidos, mas eu procurava sintetizar ao máximo, para aproveitar o que achava certo.


Obs: A foto é pra mostrar que ele demonstrou "não estar nem aí " e o vídeo é de uma banda que ambos adoramos: The Cranberries. A música sugere que se siga em frente...

Hoje meu humilde blog fez um mês... com 1300 visitas e 23 seguidores...
Abcs a todos!!

Maio/junho de 2008: Novos rumos

Continuando a história com o Juan, pessoal: em maio de 2008 começamos a procurar emprego pra valer. O seguro desemprego iria acabar em junho e tava cada vez mais insuportável ficar sem trabalhar. Dizem que mente vazia é a oficina do demo e é verdade.

Ele tava procurando bem mais do que eu, sendo assim conseguiu emprego antes de mim. Fiquei esperando ele e o resultado do processo seletivo. Lembro como se fosse hoje, fiquei algumas horas em um centro cultural que tava com uma exposição sobre a natureza. Possibilitava as pessoas ficarem deitadas, olhando... a exposição era no alto... plantas, réplicas de aves e sons que aliviavam a tensão de dias caóticos.

Eis que chega ele, com sua simplicidade e beleza simples, mas que a meus olhos é tudo o que quero ver .
Disse que conseguiu o emprego e que começaria o treinamento em breve. Me deu a dica de tentar algo no ramo de telemarketing, mas eu achava que não seria a minha praia, ficar parado, ouvindo pessoas me xingando... rs.

Eu me acostumei com a loja, arrumar a bagunça que os clientes faziam, fazer as coisas do meu jeito e dar uma sumida no estoque quando estivesse a fim... Também achava que só sabia fazer isso  não queria arriscar nada novo. 
E foi pra lá que voltei. Pra minha primeira loja, que eu nunca quis sair. Ficava a menos de 1 km da minha casa. Ainda tinha muitos amigos lá, inclusive a Josi, que sabia do meu namoro com o Juan.
A volta significou um recomeço pra mim. Quando saí de lá não sabia fazer quase nada: e voltei após 3 anos em uma loja infinitamente mais difícil e movimentada em relação à essa. Eu conseguia me destacar assim e consegui o respeito e a admiração dos que não me conheciam. Mostrava muita vontade de trabalhar.

Enquanto isso, o Juan já tinha se adaptado à nova empresa. Nosso horário não coincidia, o que passou a gerar stress. No dia dos namorados tivemos a nossa primeira briga e nos separamos.
Absurdo né?

Não nos vimos no dia 12, pensando que fossem seguir a gente. Chamei ele pra uma peça de teatro no dia seguinte. Trocamos os presentes de dia dos namorados, bem na porta do teatro... rs
Não lembro o que dei de presente, acho que um livro do Dr House e ganhei um dvd do filme Paixão proibida ( sugestivo ). Só que ali, nesse dia, as diferenças começaram a aflorar: eu sempre adorei datas festivas como essa e queria comemorar, pois passamos por muitas dificuldades pra chegar até ali. Ele achava uma data como qualquer outra. 

Quando chegamos ao teatro, descobrimos que a peça mudou de data. Sugeri irmos comemorar em outro lugar. Ele não quis, dizendo que preferia ir pra casa. Foi a primeira vez que me estourei com ele: falei que ele não via valor nessa data porque não teve que abrir mão de nada pra ficar comigo e reclamei de ele nunca ir na loja me ver, após o trabalho dele.

Ele simplesmente disse que não queria mais namorar mais comigo. Isso com a maior frieza possível, característica de leoninos. Fiquei totalmente sem chão, pois semanas atrás falávamos até em morar juntos.

Demos início a uma fase de bipolaridade e que um passou a enxergar as falhas do outro: típico depois que a fase do oba-oba passa... mas tinha certeza que nossa história não acabaria assim.



Abril 2008: O mês seguinte ao abalo sísmico psicológico.

Consegui motivação pra voltar a escrever sobre a história... pois bem...
Minha vida tava um inferno mesmo passadas algumas semanas da notícia bombástica.
Não encontrava uma brecha pra ficar com o Juan.
Nessa época ele tinha trauma de motel, pois disse que foi discriminado uma vez em um...
Por mais que eu estivesse com medo de mexer na "ferida" dos meus pais, a vontade de ficar com ele era infinitamente maior. Sendo assim, resolvi arriscar. O único lugar seria novamente o apê. Tive que insistir com a Ana, pois ela achou que tava recente ainda todo o ocorrido.

Falei aqui que ia procurar emprego. Encontrei com o Juan e fomos pro apê... o nervosismo foi tanto que ele esqueceu a chave do apê em casa. Fiquei mais de uma hora esperando ele voltar em casa e buscar a chave!


Chegando no apê, a saudade falou mais alto. Foi muito bom. Intimidade é tudo! Transar com amor é para poucos... é necessário uma ligação a mais...

Meu celular tava desligado. Assim que liguei, meu pai tava me ligando desesperado, como se eu fosse casado com ele e não minha mãe. Queria saber onde eu tava. Dei a desculpa do trânsito, que não colou...

Mas não tava nem aí, afinal demos um jeito de ficar juntos de novo. 
Pra não correr o risco de ele esquecer a chave de novo, resolvi guardá-la comigo. Maldita hora.
Minha mãe achou a chave.

Ligou pra Ana, acusando-a de estar nos acobertando... dando força pra algo que era errado. Inclusive ameaçou-a até de morte. Disse que meu pai tava tão desesperado que tava andando armado.

Quando a Ana me ligou chorando e contando isso não acreditei. Pela primeira vez tive vergonha de ser filho da minha mãe. Como alguém poderia ser tão baixa? Liguei pro meu pai e ele não se pronunciou. Ainda disse que se ela fez isso é porque dei motivo. 

Não sabia onde enfiar a cara em relação à Ana. O Juan achou que estávamos indo longe demais nisso: ficou se culpando pelo sofrimento da Ana. Até hoje não entendi uma parte: meus pais nunca culparam ele pela minha mudança, preferiram culpar até a minha amiga, mas em nenhum momento o nome dele era citado.

Pedi desculpas à Ana, entreguei as chaves do apê a ela e prometi não ir mais lá.
O Juan, assustado demais, preferiu que déssemos um tempo sem nos ver. Ficamos um tempo só se falando por telefone.

Senti ódio dos meus pais. Tava preparado pra qualquer coisa. Aguentaria até o fim se a punição se limitasse a mim. Mas envolveram a Ana, a quem eu amava muito e tinha uma eterna gratidão. Fiquei apreensivo quanto à uma possível emboscada com o Juan. Foi nessa hora que comecei a enxergar quem eu era. Estava disposto a qualquer coisa pra protegê-lo. Se algo acontecesse a ele, qualquer arranhão que seja, eu faria uma besteira sem precedentes aqui. A raiva me dominou naquele mês de abril.

Não via a hora de voltar a trabalhar e reconstruir minha vida. Estava disposto a passar fome, mas não queria que nada faltasse a ele. Passei a juntar todo o dinheiro possível, pensando em um futuro vivendo com ele.
Era minha razão de viver, nada mais importava.


"Everybody searching for intimacy... "

Março de 2008: Juntando os cacos... clima pesado em casa.

Acordei no dia seguinte ( após ter contado aos meus pais que sobre minha sexualidade e sobre meu namoro com o Juan ) achando que fosse um pesadelo. Mas este havia apenas começado. Meus pais não falavam comigo e quando falavam, me olhavam atravessado. Passaram a seguir meus passos, mais do que nunca, como se eu fosse uma mulher infiel... achavam que pressionando, fariam com que eu me separasse do Juan e "voltasse" ao normal.

Mal eles sabiam é que eu transformava essa dificuldade em motivação para seguir em frente com meu namoro. Em momento algum pensei em deixá-lo, mesmo que eu fosse expulso de casa. Ele, pelo contrário, sempre racional, me aconselhava não arriscar tanto e dar um tempo para que a poeira abaixasse.

Nessa época cortaram a internet aqui de casa, achando que impediriam um contato meu com ele dessa maneira... e me proibíram de usar o telefone aqui de casa também. Os dois fizeram falta, mas na época eu tinha bonus da Tim pra falar com ele pelo celular e usava como válvula de escape: não podiam tirar meu celular, pois fui eu quem comprei!!

Minha avó ajudou a me criar e soube de mim da pior maneira possível.
Isso tudo tava rolando faltando pouco pro meu aniversário de 23 anos. Não pude vê-lo no dia, pois me seguiriam de todas as formas possíveis, até com tanques de guerra, se pudessem... Sendo assim, só fui na casa da minha avó, fiquei com eles lá. Ela sempre faz um bolo, alguma coisa no meu aniversário, desde que nasci. Nem minha mãe ficou com a gente, só meu pai.



No dia anterior, o Juan me levou pra escolher uma camisa de time de futebol, como presente de aniversário. Tenho ela até hoje, do Lyon ( FRA ). Ele contou pra mãe dele no mesmo dia que meus pais souberam do nosso namoro. Ela já meio que desconfiava e aceitou numa boa. Não sei se pelo fato de ele não ser filho único como eu, mas ela teve um comportamento exemplar com ele nesse caso ( ele tem mais 2 irmãos e uma irmã ). 

Na mesma semana, uma amiga da minha mãe, de longa data veio aqui. Sentiu o clima pesado entre todos e veio conversar comigo. Disse que já sabia mais ou menos o que tava acontecendo. Aproveitei e contei a ela, esperando ajuda. Na verdade, minha mãe tinha inventado uma desculpa pra ela e não tinha contado.
Quando ela soube que falei pra amiga dela, partiu pra cima de mim, com muita raiva, se sentindo envergonhada, enfurecida... a primeira coisa que ela fez pra se vingar foi ligar pra casa da minha avó e tentar contar pra ela. Quem atendeu foi a minha madrinha e ouviu a notícia da minha mãe enfurecida, dizendo que eu sou "viado". Minha avó acabou ouvindo também e ficou passando mal lá...
Foi um golpe baixo da minha mãe: ela sabia que eu era querido pela minha avó, por parte de pai e pela minha madrinha e que valorizava muito mais a elas do que meus parentes por parte de mãe.



A situação tava insustentável aqui. 
Tava com medo até de que minha mãe me envenenasse.
Meu amigo Marco ofereceu a casa dele para que eu ficasse um tempo. Mas fiquei sem graça... não saberia o que dizer à mãe dele. 
Na verdade contei a ele sobre minha sexualidade nesta época. Sabia que ele me apoiaria e também desconfiava que ele fosse gay também...
Eu tava certo: ele se revelou também e me apoiou como nunca nessa época de guerras em que eu precisava de super amigos, praticamente aliados. 
Foi até engraçado quando contei a ele... ele ficou surpreso, mas eu nem tanto quando soube dele. Tinha lógica: ele nunca falou de mulheres, nem namorou nenhuma desde que eu o conheci... também tinha uns gostos estranhos, que " queimavam o filme" tipo uma obsessão por Backstreet Boys... rsrsrs
A mãe deste meu amigo não sabe dele. Até desconfia, mas nunca teve provas. E eu sabia que se eu fosse pra lá, minha mãe faria da vida dele um inferno também.



Nessa época comecei a procurar emprego, mesmo recebendo seguro. Usava isso pra dar umas escapadas e ver o Juan. Íamos juntos nas agências de emprego. Rolava até uns beijos nos elevadores dos predios... rs
Em alguns dias a gente colocava 2 ou 3 currículos e passava o resto do dia passeando...
Eu tinha a esperança de que um dia pudéssemos nos ver sem ter que nos esconder.

Era um sonho em que valia a pena correr riscos.


Março de 2008: A revelação

Acho que ficamos pelo menos um mês indo todos os finais de semana e feriados pro apê. Minha amiga nos deu uma cópia da chave e tudo.
O lugar era legal, meio que isolado. Ficava a 40 minutos de ônibus do centro do RJ.

O curioso é que sempre fui olho grande quanto à comida, mas nessa época nem sentia muita fome... a sensação é de que eu não queria perder tempo nem me alimentando. Todas as vezes, passávamos no mercado e comprávamos besteiras pra fazer na cozinha, tipo nuggets, pastéis, cachorro quente, etc... coisas fáceis de fazer e práticas de comer.


Fechando os olhos consigo lembrar de cada detalhe até da cozinha, que era toda verde, simples, como era minha amiga. O Juan tinha muito mais noção de coisas de cozinha do que eu. Ele que limpava quase sempre a bagunça, pois no dia que tentei, não me atentei a várias coisas, como limpar o fogão após fritar algo... rs

Teve um dia que ele ficou fritando batata frita e me ofereci pra ajudar. Ele virou pra mim e disse: Vai lá ver seu futebol que eu cuido disso...
Putz... era tudo que eu queria ouvir!! rsrsrs
Ele nunca curtiu futebol. É uma das diferenças nossas.

Nessa época eu sempre levava uns cds pra ficar ouvindo lá, no quarto dela havia um rádio com CD. Na época, os cds que mais ouvi foram o 1º da Colbie Caillat, que tinha Bubbly, dois do Westlife ( Back Home e Love album), um da Melanie C ( This Time), um do Tiziano Ferro ( Rosso Relativo) e o mais ouvido: Mirrorball, da Sarah Mclachlan.


Com o passar do tempo, meus pais passaram a estranhar. A Ana não ligava mais lá pra casa. Eu não dava o telefone fixo de lá e o Juan parou de ir lá em casa também. Numa dessas, meu pai se ofereceu pra me dar carona até lá, pra saber onde era. Eu me esquivei de todas as formas. Achava que nunca descobririam.

E foi numa fatídica sexta- feira-santa que liguei pra Ana e pedi que ela conversasse um pouco com a minha mãe, pra disfarçar. Minutos depois saí, pra encontrar o Juan, que me esperava no Centro do RJ. 

Ele tava com uma cara de assustado. Disse que minha mãe ligou pra casa dele e que a mãe dele, astuta e já prevendo o que aconteceria, somente disse que ele não estava em casa.
Minutos depois, minha mãe me liga. Disse pra eu parar de mentir, que ligou pra mãe da Ana e soube que ela tava indo pra lá e não encontrar comigo.


Enquanto digito esse texto, chego a ficar tenso.
Foi um momento decisivo na minha vida.

Ele perguntou pra mim o que faríamos.
Falei que seguiríamos em frente, não queria estragar meu final de semana e se voltasse pra casa seria assumir o erro.

Fui no ônibus com o coração na mão, pensando no que fazer.
Quando chegamos no apartamento, resolvi que ia ligar pra eles e falar a verdade.
Ele perguntou se era isso mesmo que eu queria e que me apoiaria em qualquer que fosse a minha decisão.
Nos abraçamos. Eu tava segurando o choro, mas quando vi ele chorando, comecei a chorar também.


Liguei direto pro meu pai, que eu sempre achei que fosse o mais lúcido.
Ele falou das suspeitas da minha mãe e perguntou o que tava acontecendo.
Expliquei que quem tava lá comigo todo esse tempo era o Juan e que eu tava namorando ele. Falei que não era curtição, que eu gostava muito dele.

Meu pai quase desmaiou.
Minha mãe pegou o telefone da mão dele e começou a gritar comigo. Me mandou ir pra casa imediatamente, que meu pai tava passando mal.
Chorei muito. Não imaginava que fosse ser assim.
Meu pai me ligou, aparentemente mais calmo uns minutos depois. Dizendo que ia me buscar no Centro. Eu temia até por agressão física da parte dele.
Me despedi do Juan, chorando muito. Olhei em volta do apê... o sonho parecia ter acabado.


Pegamos ônibus diferentes, para que não nos vissem juntos.
Meu pai me esperou num posto de gasolina.
Entrei no carro e lá veio o sermão... disse que eu tava confuso, que não ia aceitar isso... fez uma série de perguntas ridículas de praxe, como: Quem era o ativo... se eu já tinha feito antes... como a família dele reagia com isso e se sabiam...

Esse foi o post mais difícil de escrever até hoje.
No final da conversa ele deixou bem claro, que se eu continuasse com isso tudo, poderia esquecer que tinha pai e mãe. Me senti mais indefeso do que nunca. Tava desempregado, não tinha nem onde cair morto, nem com quem ficar. 

Deitei na cama, chorando. Meu celular tocou: era o Juan.
Até hoje não esqueço suas palavras: " Não se esqueça que sou seu e estarei sempre esperando por você, quando tudo isso passar... ficaremos juntos. "


Fevereiro 2008 : A chegada ao apartamento...

Passada toda aquela euforia de começo de namoro, carnaval, etc... eu só pensava em uma coisa: pra quem iria contar sobre meu namoro. Tivemos que escolher minuciosamente, para que a informação não chegasse até meus pais. Escolhemos como a primeira a saber uma amiga da loja: Josi. Ela quase caiu pra trás, quando contamos. Mas gostou...
Da minha parte, escolhi a Ana, pra ser a primeira a saber. Seria um caminho sem volta, caso eu tivesse alguma esperança ainda em ficar com ela, mas não hesitei.

Minha coragem foi premiada. Após conversarmos, ela ofereceu o apartamento em Niteroi, para ficar com ele nos fds. Ela tinha se separado do namorado e não queria ficar lá por um tempo, pra não ficar lembrando dele e preferiu ficar com a mãe.
Nem acreditei. Teríamos um cantinho nosso por um tempo... estávamos sem trabalhar, recebendo seguro desemprego e passamos a ir pra esse apê todo fds.


Ela foi apresentada a ele, conversaram e tudo, lá no apê... eu cheguei a deitar no colo dele enquanto conversávamos. Depois ele disse que se sentiu mal, pq ela e eu tínhamos uma história e já havíamos até nos beijado.
Compramos algumas coisas pro apê, como lençol, toalha, travesseiro e até um aparelho de dvd, que preferi dar de presente a ela, como gratidão ( o namorado quando foi embora deixou ela quase sem nada ).
 
Quando fiquei a sós com ele, parecia não acreditar.
É difícil descrever com palavras, mas foi o momento mais feliz da minha vida. Me sentia indestrutível, invencível, que nada estragaria aqueles momentos felizes.
A Ana era tão maneira que deixou que ficássemos na cama dela... ainda disse que não há nada que a água não lave!! rsrsrsrs

Enfim, pude tomar banho com ele, como um casal normal, dormir ao lado dele, vê-lo acordando... ir na padaria comprar pão, voltar e ver ele arrumando a casa... era tudo perfeito.
Ficávamos na cama, na maioria do tempo... ou transando ou conversando sobre tudo o que passamos antes do namoro. Vimos que na verdade conhecíamos pouco um do outro.

O tempo tava chuvoso, agradável pra ficar junto com quem se ama...
Levei uns filmes e pipoca pra assistirmos. Eu deitava no colo dele no sofá e às vezes até dormia...
Nessa época, ouvia muito as músicas da Sarah Mclachlan. Percebi que haviam umas músicas de duplo sentido, que o público gay poderia adotar. Como a canção "Elsewhere", que tem uns trechos bem interessantes e uma frase marcante: " I believe this is heaven to no one else but me... and I'll defend it as long as i can be... " 
Essa música traduz muito bem o significado daquele lugar pra mim e o quanto estar com ele era importante e essencial. Posto aqui a tradução da música completa :

Para meus pais, parecia fácil a desculpa a inventar... dizia que ia pra casa da Ana, que era minha amiga há séculos e sabiam que eu tinha uma queda por ela. Deviam achar que finalmente estávamos namorando todo esse tempo. Pra família dele, a desculpa era mais esfarrapada: que ele tava comigo e com ela nesse apê... e a mãe dele na esperança de que ele estivesse gostando da Ana... rs

Termino este tópico com muita saudade dessa época, em que não havia nada pra nos atrapalhar ( trabalho, família, dinheiro, ciúmes, intrigas, etc). O sentimento estava puro, inocente até... parecíamos um só naqueles momentos. Dedico este tópico a ele, o grande amor da minha vida até hoje.

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