De uns dias pra cá vinha acompanhando o estado de saúde da mãe do meu melhor amigo. Neste dia 07 ele me liga contando que ela não estava reagindo aos medicamentos: o aneurisma cerebral realmente foi forte e causou muitos danos. Ele comentou também sobre o massacre em Realengo, em que um marginal matou várias crianças dentro de uma escola: inacreditável. Levantei da cama, acompanhei o noticiário e vi o desespero das pessoas. Pouco depois informam que houve novo terremoto no Japão. Quanto desastre num dia, pensei eu.
Mais tarde esse amigo meu me liga. E dá a triste notícia que a mãe dele não resistiu. Fiquei sem palavras, me tremi todo. Nunca sei o que dizer ou fazer nessas horas. A vida meio que me poupou até hoje de lidar com essas ocasiões, os únicos que perdi foram meus avôs, em 1995 e 1996.
Pedi pausa no trabalho e fui chorar no banheiro. Nem dava pra disfarçar, minha cara ficou inchada. Ela era uma pessoa de bem, engraçada até. Convivo com esse meu amigo desde 2002 e por muitas vezes dormi na casa dele, etc. Ela me tratava super bem. Tinha uma relação de afastamento com o esposo e de proteção com meu amigo. Ela sempre desconfiou que ele fosse gay, mas nunca teve provas. Talvez tenha sido melhor ela ter ido sem saber, ao menos nisso ela foi poupada.
O enterro foi no dia seguinte, compareci mesmo no meu horário de trabalho ( alinhei com a minha coordenadora para compensar as horas depois ). Tentei dar força a ele, ao menos estando por perto. Não sou bom com palavras nessas horas.
Procurarei estar o mais perto possível nessa fase dele. Eu já estava me aproximando mais depois de um período de ausência e agora tenho um bom motivo para isso. Ele é filho único como eu, não se dá bem com o padrasto e precisará dos amigos mais do que nunca.
Tenha força e conte comigo, cara...


