Perdi o sono, pensando na vida. E acho que não conseguiria dormir, sem antes escrever o que sinto por aqui.
Me sinto sozinho.
Tenho minha família, ótimos amigos, mas acostumei a estar compromissado com alguém.
Acho que não fico solteiro por mais de um mês desde 2007.
Acabei acostumando com a rotina.
O desgaste corroeu nossa relação de uma forma que não conseguimos consertar.
Estávamos tão saturados, que acho que nem sequer tentamos como deveríamos.
As dificuldades superaram a força de vontade.
As mentiras prevaleceram sobre as verdades.
O orgulho bloqueou qualquer tipo de sentimento.
A vaidade nos cegou, a ponto de competirmos um com o outro.
Conversávamos por conversar.
Parecia que nada o que o outro dizia era interessante.
Só queríamos apoio do outro, mas não nos preocupávamos mais em dar nada em troca.
O companheirismo se tornou algo distante, quase que utópico.
O medo se tornou algo comum entre nós.
Eu, com medo de ser deixado de lado e ele, com medo das minhas reações explosivas.
Convivemos lado a lado por quase 6 anos. E a sensação era de que não nos conhecíamos.
Não sabíamos o que esperar do outro. O temor era grande.
Tudo isso foi minando os sentimentos de ambos.
Por muito tempo houve trocas de acusações, dos dois lados.
Hoje, não mais.
Parece que nos demos conta que, no momento, não acrescentamos nada um ao outro.
Infelizmente, viramos estranhos.
Decepções seguidas fazem isso.
Vivíamos esperando do outro coisas que nunca aconteceriam.
Como diria Renato Russo: meu orgulho, vaidade e egoísmo me deixaram cansado.
Não sei o que fazer, nem pra onde ir.
Todos os lugares que gosto de ir me lembram ele.
As lembranças, mesmo as boas, me assombram.
É uma espécie de luto, que venho adiando há tempos.
Na verdade tenho tentado maquiar com paixões passageiras.
Que nunca deram certo e só acabaram magoando outras pessoas.
Se meu destino for ficar sozinho, eu aceitarei.
Mas preciso de tempo, pra saber quem eu sou e o que eu quero pra minha vida.
Caminho pela praia sozinho, imaginando a companhia dele ao meu lado, com aquele jeito medroso.
Peço um açaí e me pergunto quem comerá as passas da minha granola.
Acordo com um despertador frio, quando acostumei a acordar com uma ligação dele.
O lugar no ônibus na volta pra casa nos fds hoje vem sempre vazio.
A poltrona do cinema também.
O celular não toca mais como antes, nos horários religiosamente combinados, pra falar do dia que passou.
Os momentos felizes, as lembranças, ficam apenas nas fotos e na memória.
As juras de amor eterno ficaram pra trás.
Tenho ódio dessa situação, mas não sei para onde direcioná-lo.
Sempre tive a necessidade de identificar os motivos das minhas derrotas.
E essa foi uma das maiores que já tive.
Chegamos tão perto da felicidade, que a frustração tornou- se ainda maior.
Parece que tudo foi em vão.
O sentimento é de impotência em relação aos acontecimentos.
Não conseguimos assimilar as diferenças de personalidade.
Nem as consequências dos imprevistos que nos tiravam da zona de conforto.
Parece que nunca formamos uma estrutura sólida.
Que sempre construíamos castelos em areia movediça.
Hoje, posso dizer que me sinto mais maduro, vivido.
Mas me sinto amargurado.
Será que é vantagem sentir amargura pra aprender na vida ?
Nosso namoro respirou por aparelhos durante muito tempo.
Faltava coragem, pra deixá-lo partir em paz.
Se ele ressuscitará um dia ?
Quem sabe ?
Mas seria uma outra vida.
Porque nessa, não cabe mais tanto sofrimento.
Já nos demos conta disso.
Sinto falta dele, mas preciso respirar.
Sentir que meu coração ainda bate, apesar das dificuldades.
Cicatrizar as muitas feridas.
Separar o joio do trigo.
Aprendi que uma boa reflexão pode acelerar o metabolismo da alma.
E é isso que farei nesse tempo.
Preciso dormir.




