O marujo vaidoso estava, enfim, ao lado da sereia. Parecia que todos os seus problemas, sofrimentos e angústias haviam terminado ali. Tudo era perfeito, mágico neste dia. Até o céu parecia mais azul.
Ele, que achava que nunca teria a sereia ao seu lado. Muitos duvidavam que isso fosse possível, talvez por isso a vontade do marujo tivesse aumentado. Nosso protagonista planejou vários momentos com a sereia, na afã de aproveitar o momento de êxtase.
Acenou para todos, ao lado da sereia, demonstrando que estava feliz. E foi se afastando cada vez mais da terra, em direção ao mar. A abelhinha e o papagaio não acreditavam nessa tal felicidade do marujo e ficaram de olho.
Em 24 horas, ele se sentiu dono dos sete mares. Não enxergava nada além da sereia. Um pombo correio chegou a trazer uma carta do capitão do navio, mas o marujo sequer abriu e a jogou no mar. E afastou- se mais... a ponto de não enxergar nada além do mar.
A sereia demonstrava que não precisava tanto do marujo, quanto ele precisava dela. Fez suas vontades, bajulou- o. Fez com que ele se sentisse único. E quando ele menos esperava, ela partiu. Disse que precisava procurar alimentos no fundo do mar. Prometeu que voltaria na manhã seguinte.
O marujo não teve alternativa. Não queria deixá- la ir. Mas ela era livre e conhecia o mar. Mesmo triste, despediu- se dela.
- Até logo, sereia.
e abraçou- a.
Passou a noite contando as horas para vê-la. O sol apareceu, mas a sereia, não. Olhou para os lados e não sabia nem onde estava. Estava em uma pequena canoa, sem alimento, sem água potável e naquele momento, sem esperanças.
Gritou desesperado pela sereia. Ela não ouviu. Estava longe de seu alcance. Não precisava do marujo para nada e não tinha pressa para voltar.
E quando menos esperava, viu que a abelhinha e o papagaio estavam ao seu lado na canoa. Disseram que o capitão ainda precisava dele e que o navio ainda tinha salvação. Não havia afundado ainda.
O marujo chorou, ao mesmo tempo que caía uma tempestade. Ondas gigantescas e trovões ameaçavam a pequena canoa. Sua vaidade o colocou em perigo. Ele daria tudo para estar no navio, onde ainda tinha serventia.
A canoa virou. Ele se viu afundando no mar. Havia desistido de tudo. Sabia que caiu em uma ilusão, por pura ingenuidade. Perdeu os sentidos. Achou que havia morrido.
Acordou dentro do navio. Foi salvo pelo capitão, que entendeu os motivos de sua partida. Os dois prometeram, então, se unir em prol da restauração do navio. Juntos.
Depois disso, o marujo avistou várias outras sereias. Mas agora sabe que o lugar delas é no mar. E o dele... é no navio. É onde ele se sente realizado e feliz.
A abelinha e o papagaio tiveram participação decisiva e o navio já está quase recuperado.
Enfim... respeitar o mar é preciso !
Cold Water soa perfeita para esta história. Baseada em fatos reais da minha vida recente.


