Forever Young

Viver para sempre ? Impossível. Viver bem ? Depende só de nós...

Entrevistando Paulo Braccini !

Hoje teremos um participante especial no espaço " Conhecendo melhor a blogosfera ".

Nada mais, nada menos que Paulo Braccini. Todo blogayro que se preze conhece o Bratz, que está sempre prestigiando nossos blogs. Nada mais justo do que uma entrevista especial com ele .
A novidade é que teremos participações especiais, com perguntas pro Bratz, dividindo comigo a responsabilidade... 








Raphael Martins: Paulo, que bom ter você neste espaço. Vi em uma postagem que você já está na blogosfera há 4 anos. O que mudou de lá pra cá?

Bratz:
 Como a vida em si é uma metamorfose ambulante, também blogsville mudou. Novos amigos que chegaram, outros que se foram, muitos saíram da virtualidade, outros continuam por lá,  muitos saíram do armário outros continuam por lá, meu blog mudou, eu mudei, enfim ... as coisas são assim ... movimento constante e isto é bom.


  Paulo, o que acha da estatística lamentável, que aponta o Brasil como o líder nos crimes contra homossexuais ?

Bratz:
 Lamentável isto. Isto é fruto de intolerância e ignorância aliada a uma total e absurda impunidade. Mas sou um otimista e acredito e sempre acreditarei em dias melhores.



Paulo, você crê que algum dia os gays terão paz ? No quesito de liberdade e igualdade de direitos?


Bratz: 

Com certeza. Isto é um processo cultural que conquista seus avanços de forma natural ao longo da história de cada cultura. Não existe força reacionária que impeça este movimento. Isto é um fato comprovado pela história.

 Qual motivo que você mais considera para a intolerância contra os gays, principalmente no Brasil?

Bratz:
 Como disse anteriormente isto é fruto da intolerância e da ignorância, hoje alimentadas pela hipocrisia e estupidez religiosa. Religião, uma instituição que se propala em ser fraterna, mas que na prática mostra-se a mais excludente e sem qualquer potencial de AMOR em suas atitudes.
  
Bratz, a lei que permite a união homo-afetiva é um grande passo ou é indiferente perante a onda de ignorância que assola nosso país? Pretende se casar no papel?

Bratz: 

Eu e o Elian estamos juntos há 37 anos. Construímos nossa  vida homo-afetiva  sem esta prerrogativa legal, e nos sentimos super tranqüilos quanto ao nosso presente e futuro. Somos inteiramente favoráveis a esta conquista histórica pois ela é crucial para a maioria dos casais gays. No nosso caso específico não cogitamos, pelo menos por enquanto, desta necessidade.



** Bom, havia comentado que esta entrevista seria diferente das outras.

Pois bem: convidei alguns bons blogueiros que conhecem o Paulo Bratz e todos foram bem solícitos ao enviar suas perguntas.

Vamos interagir com eles agora ... 

Ro Fers e Foxx perguntam:

Admiro muito relacionamento de vocês, visto que é raro relacionamentos durarem tantos anos assim. Como vocês se conheceram?

Bratz:

 Querido Ro! Foi de forma a mais heterodoxa possível. Em Junho de 1974 eu e ele passávamos por um momento difícil em nossas vidas. Tanto o pai dele como o meu estavam gravemente enfermos. Daí, coincidentemente, fomos a um Centro Espírita no mesmo dia e horário, para consultarmos sobre nosso problema comum. Assentamos um ao lado do outro e durante a espera conversamos sobre nossas buscas. Durante a consulta foi os revelado que o problema dele estaria resolvido em breve mas que o meu o final não seria aquele por mim esperado. Tudo isto se confirmou, o pai dele recuperou e viveu mais de 25 anos ainda enquanto que o meu, ao cabo de 5 meses veio a falecer. Deste encontro outros se sucederam no mesmo local e daí a nossa amizade foi ganhando contornos até de cumplicidade mútua de nossas emoções. Em três meses percebemos que estávamos fortemente comprometidos um com o outro e, em 26 de Setembro do mesmo ano, oficializamos nosso compromisso de namora/casamento. Super legal esta nossa vida.







  Você já foi vítima de preconceitos? Como você reagiu ou reage diante disso?

Bratz:
 Nunca sofri nenhum tipo de preconceito ou mesmo bulling em toda a minha vida. Eu me assumi para comigo mesmo aos 24 anos. Assumir no caso de forma plena e absoluta sem qualquer nuance de crise existencial ou sentimento de culpa que, de alguma forma me atormentou até então. Para o mundo, digo mundo me referindo a família, todos os parentes, amigos e colegas de trabalho isto foi um processo que se iniciou aos 24 anos e foi concluído aos 30. Daí para frente, tudo claro e aberto, eu super seguro de tudo e sem qualquer manifestação de preconceito de quem quer que seja. Eu sei que o preconceito existe e por vezes se manifesta de forma a mais violenta possível mas, felizmente nunca fui vítima dele.




Foxx pergunta:

Como você se descobriu gay e como foi lidar com isso na época?


Bratz: 
Oi querido Foxx! Como falei na questão do Ro, e me descobri muito cedo, criança ainda, acho que com meus 10 anos. Mas minha prática homossexual só aconteceu aos 14 anos. Comigo mesmo não foi uma lida fácil a de me aceitar. Foi uma luta íntima, solitária e muito doída. Quando conheci o Elian é que meu processo de aceitação pessoal ganhou força e eu me resolvi de vez nesta questão.




Juan pergunta:

Qual foi a maior dificuldade encontrada em uma relação de mais de três décadas?

Bratz: 

Querido Juan, as dificuldades para o crescimento e amadurecimento de uma relação não são poucas. Não existe esta ou aquela dificuldade, é um conjunto. Na verdade isto é fruto primeiro de uma verdadeira compreensão de que o AMOR não é só a PAIXÃO. A paixão passa e se ela for confundida como amor tudo acaba. Amor é muito mais que isto. Amor é você perceber que a pessoa envolvida com você é alguém que lhe passa aquela sensação de cumplicidade plena. Temos que trabalhar no sentido de aceitarmo-nos, um ao outro, tal e qual cada um é. Não é possível a tal renúncia, pelo menos no seu sentido pleno. Renúncia implica em frustrações e elas não são recomendáveis a ninguém. Você não vive nem consigo mesmo se for uma pessoa frustrada. Amor é percepção, é compreensão, é aceitação, é tolerância da individualidade de cada um, dentro de um processo de soma e multiplicação constante no sentido de crescimento dos dois e da relação. Não pode existir a dimensão do menos nem da divisão. Superar os ciúmes doentios, os sentimentos de posse, as desconfianças, as diferenças. Enfim, é estabelecer como base sólida a cumplicidade, a transparência, a sinceridade, o respeito consigo mesmo, para com o outro e para com a relação, mas sem contudo se negar ou negar a individualidade do outro.


Eduardo Paiva pergunta:


Paulo, primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelos 04 anos do Enfim! é o que tem pra hoje...!

Em seu primeiro post do blog (Perfil de um Filósofo), você começa dizendo que "Escrever não é fácil, mas poderia ser se me questionasse menos."
Após 04 anos de ter-se disparado num vôo louco e calmo, dizendo coisas soltas, escrever seus delírios tornou-se mais fácil ou os questionamentos aumentaram?
Qual foi a maior lição que aprendeu blogando nestes 04 anos?
Alguma mensagem para novos blogueiros que também buscam respostas para seus questionamentos?

Bratz: 
Querido Eduardo! Eu por temperamento sou uma pessoa extremamente questionadora. Nunca fui de assumir como definitivos e absolutos os valores pré-estabelecidos. Sempre questionei, revoguei de minha vida muitos dos valores que me foram transmitidos por julgá-los desprovidos de fundamentos. Outros eu aprimorei. Outros eu assumi. Enfim, construí meu próprio código de ética vivencial. Sou um cara que pensa 24 horas por dia e muitos dos meus pensamentos se apresentam como devaneios e, por isto mesmo, não codificáveis com palavras, pontos e vírgulas. Por isto é que digo: Para escrever temos que pensar menos. Deixar a emoção livre da racionalidade. Este foi o processo que consegui desenvolver ao longo destes 04 anos. Permitir que minhas emoções se aflorassem mais sem censuras, de forma mais livre, sejam elas por meio de minhas próprias palavras ou da palavra de outros [desde que estas tenham plena identidade com o Bratz e seu modo de ser, de pensar e de sentir]. Hoje, no Blog, faço reflexões, me posiciono política e filosoficamente, brinco, sonho, falo besteiras, compartilho minha história, minhas experiências, minhas emoções de maneira transparente e viva. Isto eu desenvolvi aqui.
Duas eram as minhas metas ao criar o Blog: Interagir com novas pessoas e, na medida do possível, partilhar com aqueles que iniciam sua caminhada na vida e que enfrentam as mesmas angústias por mim vivenciadas, a minha experiência, não como uma receita pronta, mas como uma possibilidade de acreditar que as coisas não são tão complicadas como parecem ser quando estamos vivenciando-as pela primeira vez.



Humberto pergunta:

Bratz, do seu ponto de vista, você acha que os homossexuais mais novinhos (até 21 anos), que cresceram num contexto de maior aceitação que os anteriores (ainda que tenhamos Bolsonaros atualmente), dão pouco valor ao fato de poderem expressar com mais liberdade sua homossexualidade (em blog, por exemplo)? Eles não precisam vivenciar a adolescência tentando "ser" heterossexuais, como muitos antes deles tiveram de tentar; como você imagina que essa passagem com mais aceitação vai repercutir no futuro, teremos adultos mais bem resolvidos ou essa geração dá pouco valor a isso e não deve mudar muita coisa? 

Bratz:


Humberto querido! Sua colocação é extremamente interessante. Eu que vivenciei uma geração bem diferenciada culturalmente, sem as possibilidades e sem as possibilidades de hoje, também me questiono este aspecto. Entendo que hoje as coisas são muito mais fáceis que no meu tempo, no entanto, as angústias são as mesmas. O que aprendi é que, a vida é construída por cada um de nós mesmos, a partir do momento em que superamos nossos medos e incertezas. O grande problema de cada um de nós é esta percepção de que o problema não está com os outros e sim com a gente mesmo. O medo a ser vencido é a auto-aceitação e não a aceitação dos outros. Muitos imaginam que ninguém sabe dele, que papai e mamãe nem sonham, que os amigos não sabem ... ledo engano ... todos sabem ... apenas nós e ele fingimos que não sabemos. Quando tudo vem à tona, entre mortos e feridos todos se salvam, e nos sentimos como uns “bocós” que durante anos sofremos por um problema que não existia, era tão somente fruto de nossa insegurança. Este processo nos torna adultos muito mais bem resolvidos com certeza.



Bratz se despede por hoje:

 Ao amigo Raphael quero externar meus sinceros agradecimentos por esta grande manifestação de carinho e confiança para com o Bratz, bem como, agradecer esta oportunidade de poder, mais uma vez, compartilhar com os velhos e com os novos amigos de Blogsville um pouco do meu EU. 

Beijão a todos.




** Eu: Agradeço ao Bratz, por sempre prestigiar nossos blogs. Os comentários incentivam demais. Que sirvam de exemplo pra quem tá chegando agora.


Quanto à entrevista, acho que foi perfeita. As respostas foram sucintas e explicativas: o que mostra o amplo conhecimento do nosso amigo Paulo.



Obrigado aos participantes que enviaram perguntas e contribuíram para descontrair a postagem, interagindo conosco.




Espero que tenham gostado da postagem. Bom domingo à todos e até a próxima !!



Enfim... é o que tem pra hoje !!


20 pitacos nesse post.:

Caraca! A entrevista foi estupenda... Bem bacana...
O maneiro que o Paulo demonstra ser otimista nas conquistas GLS no país...

Bacana a história deles, afinal 37 anos juntos não é para qualquer um...
A forma que se conheceram, foi de uma maneira simples, em que prova que quando tem que acontecer, as coisas acontecem quando menos esperamos, independente do lugar, da situação, por isso que sempre falo aos amigos desesperados por namoro, “relaxem, não criem expectativas em chats, baladas, as coisas se encaixam na hora e no momento certo...”
Bacana que no dia do meu aniversário, eles comemoram mais um ano juntos...
Desejo que possam comemorar muitos anos juntos, que essa união seja eterna...

Forte abraço!

 

o Bratz é incrível! fato.

 

Braccini é uma figura ímpar! Um exemplo em nossa blogosfera! Um ser doce, gentil, afável, enfim, um grande amigo que eu simplesmente adoro!

Parabéns pela entrevista

 

Ficou legal mesmo ... obrigado pelo carinho queridão e pela oportunidade de interagir com a blogosfera mais uma vez. Postando o link do blog agora ...

bjão

 

adorei a dinâmica da entrevista.

outros blogayros fazendo perguntas.

e o paulo é um lindo.
lindo mesmo.

adorei conhecê-lo pessoalmente e adorei ler suas respostas.

 

Meu abraço ao Ro, Foxx, Serginho.

 

Sou fã. Simples assim.

Beijos.

 

Bratz, bravo!Ser tão atencioso com a vida não é pra muitos. Muito bom conhecê-lo nessa blogosfera.
abraços!!!

 

Oi,Rapha1saudade de ti menino!E a facul como tá?
Boa semana!
Beijosss

 

Olá Raphael
Parabéns pela dinâmica da entrevista. Quanto ao entrevistado, sou suspeito para falar. Amo muito.
Bjão

 

Fiquei tão triste por não ter participado dessa entrevista.De fato, peço desde já as minhas humildes desculpas, pois não vi o seu recado a tempo Raphael.

Estou numa loucura danada e, por isso, acabo atropelando coisas das quais eu gosto, como participar dos blogs...Fica para próxima então neh?!

Bjoxxxxx e PARABÉNS pela entrevista!

 

Maridão e eu somos grandes fãs do Paulo, quando crescermos queremos ser iguais a ele...

Gostei de saber mais sobre nosso amigão, mas lendo a entrevista fiquei com uma pulga atrás da orelha: por que as perguntas a um entrevistado gay ainda são (quase) sempre sobre aspectos negativos?

 

Eu compartilho um pouco da opinião do DPNN.

Mas o Paulo é incrível mesmo! Até em vídeo anda saindo hahaha.

 

Fala Raphael!

Incrível a entrevista com o Bratz.
A dinâmica das perguntas com outros blogueiros ficou formidável!

Obrigado pelo espaço e parabéns!
Eduardo Paiva.

 

obrigado pelo carinho queridos amigos Antônio, Luna, Diu, Flor, Diogo, DPNN e Elian

 

Parabéns pela entrevista. Muito interessante e muito bem feita. É bom ler blogs de conteúdo em dias que posts sobre vampirinhos e coisas inúteis inundam a internet. Parabéns mesmo!

Quanto ao Paulo, só me resta dizer o mesmo que a Luna: Sou fã!

Abraço!

 

Grande Bratz, sempre cheio de sabedoria. Adorei todas as respostas (e as perguntas também)!

Grande trabalho Raphael, muito bom!
:)

 

Pessoal, fico feliz que tenham gostado. Tomei a iniciativa ciente do sucesso que seria.
O Bratz merece... ninguém pode negar !!

Já é a postagem mais comentada até hoje deste blog...

 

Parabéns pela entrevista. O Bratz foi um dos primeiros que conheci na blogosfera nessa minha tão recente (pouco mais de um mês) trajetória.

 

Raphael, a entrevista ficou ótima, está de parabéns e quanto ao Paulo, hoje tenho ele como um mentor virtual.

Um abraço aos dois!!!

 

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