Tenho ouvido algumas baboseiras, principalmente no Facebook sobre o ocorrido no Japão... realmente é chocante o que aconteceu lá...
mas será que não nos preocupamos demais com os problemas alheios? Será que se fosse aqui no Brasil teria a mesma repercussão? Acho que não...
O brasileiro tem a mania de sentir pena de quase tudo. Na minha opinião é bem mais fácil ajudar quem está perto de nós e se possível ajudar quem está longe... Exemplos: Tem gente que prefere doar pro Criança Esperança ( Didi Poupança ) do que doar um alimento a um pobre do seu bairro, morador de rua.
Preferem dizer que doaram 100 reais pro Teleton, mas destratam deficientes físicos frequentemente no cotidiano.
Abriram conta no banco e divulgaram na tv para que depositassem dinheiro pro Haiti, há tempos atrás. Enquanto que vários hospitais daqui ( como o Mário Kroeff ) não tem nem o que dar de comer a seus pacientes.
Ridículo.
A mídia manipula a população como marionetes, por isso não curto assistir tv. O que aconteceu na região serrana aqui do RJ já foi esquecido com o carnaval. A audiência fala mais alto...
Resumindo: Acho que se for pra sentir pena, é melhor se for por algo que possamos fazer algo pra ajudar. E se ajudarmos, pra quê ficar alardeando?
Basta ficarmos satisfeitos em ajudar e pronto. Não é necessário fazer propaganda pessoal... a paz interior é mais importante.
Acordei no dia seguinte ( após ter contado aos meus pais que sobre minha sexualidade e sobre meu namoro com o Juan ) achando que fosse um pesadelo. Mas este havia apenas começado. Meus pais não falavam comigo e quando falavam, me olhavam atravessado. Passaram a seguir meus passos, mais do que nunca, como se eu fosse uma mulher infiel... achavam que pressionando, fariam com que eu me separasse do Juan e "voltasse" ao normal.
Mal eles sabiam é que eu transformava essa dificuldade em motivação para seguir em frente com meu namoro. Em momento algum pensei em deixá-lo, mesmo que eu fosse expulso de casa. Ele, pelo contrário, sempre racional, me aconselhava não arriscar tanto e dar um tempo para que a poeira abaixasse.
Nessa época cortaram a internet aqui de casa, achando que impediriam um contato meu com ele dessa maneira... e me proibíram de usar o telefone aqui de casa também. Os dois fizeram falta, mas na época eu tinha bonus da Tim pra falar com ele pelo celular e usava como válvula de escape: não podiam tirar meu celular, pois fui eu quem comprei!!
Minha avó ajudou a me criar e soube de mim da pior maneira possível.
Isso tudo tava rolando faltando pouco pro meu aniversário de 23 anos. Não pude vê-lo no dia, pois me seguiriam de todas as formas possíveis, até com tanques de guerra, se pudessem... Sendo assim, só fui na casa da minha avó, fiquei com eles lá. Ela sempre faz um bolo, alguma coisa no meu aniversário, desde que nasci. Nem minha mãe ficou com a gente, só meu pai.
No dia anterior, o Juan me levou pra escolher uma camisa de time de futebol, como presente de aniversário. Tenho ela até hoje, do Lyon ( FRA ). Ele contou pra mãe dele no mesmo dia que meus pais souberam do nosso namoro. Ela já meio que desconfiava e aceitou numa boa. Não sei se pelo fato de ele não ser filho único como eu, mas ela teve um comportamento exemplar com ele nesse caso ( ele tem mais 2 irmãos e uma irmã ).
Na mesma semana, uma amiga da minha mãe, de longa data veio aqui. Sentiu o clima pesado entre todos e veio conversar comigo. Disse que já sabia mais ou menos o que tava acontecendo. Aproveitei e contei a ela, esperando ajuda. Na verdade, minha mãe tinha inventado uma desculpa pra ela e não tinha contado.
Quando ela soube que falei pra amiga dela, partiu pra cima de mim, com muita raiva, se sentindo envergonhada, enfurecida... a primeira coisa que ela fez pra se vingar foi ligar pra casa da minha avó e tentar contar pra ela. Quem atendeu foi a minha madrinha e ouviu a notícia da minha mãe enfurecida, dizendo que eu sou "viado". Minha avó acabou ouvindo também e ficou passando mal lá...
Foi um golpe baixo da minha mãe: ela sabia que eu era querido pela minha avó, por parte de pai e pela minha madrinha e que valorizava muito mais a elas do que meus parentes por parte de mãe.
A situação tava insustentável aqui.
Tava com medo até de que minha mãe me envenenasse.
Meu amigo Marco ofereceu a casa dele para que eu ficasse um tempo. Mas fiquei sem graça... não saberia o que dizer à mãe dele.
Na verdade contei a ele sobre minha sexualidade nesta época. Sabia que ele me apoiaria e também desconfiava que ele fosse gay também...
Eu tava certo: ele se revelou também e me apoiou como nunca nessa época de guerras em que eu precisava de super amigos, praticamente aliados.
Foi até engraçado quando contei a ele... ele ficou surpreso, mas eu nem tanto quando soube dele. Tinha lógica: ele nunca falou de mulheres, nem namorou nenhuma desde que eu o conheci... também tinha uns gostos estranhos, que " queimavam o filme" tipo uma obsessão por Backstreet Boys... rsrsrs
A mãe deste meu amigo não sabe dele. Até desconfia, mas nunca teve provas. E eu sabia que se eu fosse pra lá, minha mãe faria da vida dele um inferno também.
Nessa época comecei a procurar emprego, mesmo recebendo seguro. Usava isso pra dar umas escapadas e ver o Juan. Íamos juntos nas agências de emprego. Rolava até uns beijos nos elevadores dos predios... rs
Em alguns dias a gente colocava 2 ou 3 currículos e passava o resto do dia passeando...
Eu tinha a esperança de que um dia pudéssemos nos ver sem ter que nos esconder.
Desta vez a homenagem na foto do perfil vai para Tim Robbins: um ator completo, com atuações brilhantes em todos os filmes que atuou.
Quem puder assista: Sobre meninos e lobos, Um sonho de liberdade e Passando dos limites. Este último aliás, tem muito a ver comigo. Ele faz o papel de um cara que odeia barulho (se auto denomina O retificador ) e faz qualquer coisa para ter paz na cidade de NY. Chega a comprar briga com todos, especialmente contra alarmes de carro... sobra até pro prefeito da cidade!! Excelente!! O filme retrata brilhantemente o barulho das metrópoles, que muitas vezes já até nos acostumamos, mas que dimunui nossa qualidade de vida, aumentando o stress no dia-a-dia e diminuindo nossas horas de sono.
Eu particularmente odeio um bar aqui da esquina, que não deixa ninguém dormir às quintas-feiras ( sim... quintas-feiras... parece que sexta não é dia útil pra eles! ). Já tentei de tudo pra que fechassem as portas. A polícia faz vista grossa e há suspeita de corporativismo. Lamentável...
Parece mentira, mas em menos de um mês o blog teve mais de 500 visitas. Realmente não esperava!!
Valeu mesmo, pela moral que deram a este blog, bem amador... rs
O começo do namoro com o Juan na história tem aumentado a audiência do blog... só que agora as dificuldades aparecerão e será bem mais difícil o namoro.
Novos personagens surgirão e outros antigos voltarão à tona. Lidaremos com preconceitos e com as nossas próprias diferenças.
Não deixem de comentar nas postagens a cada leitura, pois me motiva bastante saber a opinião de cada um.
Ao parceiro Ro-SP... novamente um abraço pelas dicas sobre o blog...
À Noyara, espero vê-la sempre por aqui. O blog dela é excelente ( "Por toda a minha vida", está em meus blogs Favoritos ).
Aos novos seguidores, espero que sejam os primeiros de vários que surgirão.
A internet andava tão monótona pra mim, antes do blog... o Orkut tá marginalizado... o Facebook uma hora vai inchar tb e no Msn as pessoas são cada vez mais autistas... não puxam assunto se não tomarmos iniciativa... prefiro ficar por aqui, interagindo com outros blogs.
Acho que ficamos pelo menos um mês indo todos os finais de semana e feriados pro apê. Minha amiga nos deu uma cópia da chave e tudo.
O lugar era legal, meio que isolado. Ficava a 40 minutos de ônibus do centro do RJ.
O curioso é que sempre fui olho grande quanto à comida, mas nessa época nem sentia muita fome... a sensação é de que eu não queria perder tempo nem me alimentando. Todas as vezes, passávamos no mercado e comprávamos besteiras pra fazer na cozinha, tipo nuggets, pastéis, cachorro quente, etc... coisas fáceis de fazer e práticas de comer.
Fechando os olhos consigo lembrar de cada detalhe até da cozinha, que era toda verde, simples, como era minha amiga. O Juan tinha muito mais noção de coisas de cozinha do que eu. Ele que limpava quase sempre a bagunça, pois no dia que tentei, não me atentei a várias coisas, como limpar o fogão após fritar algo... rs
Teve um dia que ele ficou fritando batata frita e me ofereci pra ajudar. Ele virou pra mim e disse: Vai lá ver seu futebol que eu cuido disso...
Putz... era tudo que eu queria ouvir!! rsrsrs
Ele nunca curtiu futebol. É uma das diferenças nossas.
Nessa época eu sempre levava uns cds pra ficar ouvindo lá, no quarto dela havia um rádio com CD. Na época, os cds que mais ouvi foram o 1º da Colbie Caillat, que tinha Bubbly, dois do Westlife ( Back Home e Love album), um da Melanie C ( This Time), um do Tiziano Ferro ( Rosso Relativo) e o mais ouvido: Mirrorball, da Sarah Mclachlan.
Com o passar do tempo, meus pais passaram a estranhar. A Ana não ligava mais lá pra casa. Eu não dava o telefone fixo de lá e o Juan parou de ir lá em casa também. Numa dessas, meu pai se ofereceu pra me dar carona até lá, pra saber onde era. Eu me esquivei de todas as formas. Achava que nunca descobririam.
E foi numa fatídica sexta- feira-santa que liguei pra Ana e pedi que ela conversasse um pouco com a minha mãe, pra disfarçar. Minutos depois saí, pra encontrar o Juan, que me esperava no Centro do RJ.
Ele tava com uma cara de assustado. Disse que minha mãe ligou pra casa dele e que a mãe dele, astuta e já prevendo o que aconteceria, somente disse que ele não estava em casa.
Minutos depois, minha mãe me liga. Disse pra eu parar de mentir, que ligou pra mãe da Ana e soube que ela tava indo pra lá e não encontrar comigo.
Enquanto digito esse texto, chego a ficar tenso.
Foi um momento decisivo na minha vida.
Ele perguntou pra mim o que faríamos.
Falei que seguiríamos em frente, não queria estragar meu final de semana e se voltasse pra casa seria assumir o erro.
Fui no ônibus com o coração na mão, pensando no que fazer.
Quando chegamos no apartamento, resolvi que ia ligar pra eles e falar a verdade.
Ele perguntou se era isso mesmo que eu queria e que me apoiaria em qualquer que fosse a minha decisão.
Nos abraçamos. Eu tava segurando o choro, mas quando vi ele chorando, comecei a chorar também.
Liguei direto pro meu pai, que eu sempre achei que fosse o mais lúcido.
Ele falou das suspeitas da minha mãe e perguntou o que tava acontecendo.
Expliquei que quem tava lá comigo todo esse tempo era o Juan e que eu tava namorando ele. Falei que não era curtição, que eu gostava muito dele.
Meu pai quase desmaiou.
Minha mãe pegou o telefone da mão dele e começou a gritar comigo. Me mandou ir pra casa imediatamente, que meu pai tava passando mal.
Chorei muito. Não imaginava que fosse ser assim.
Meu pai me ligou, aparentemente mais calmo uns minutos depois. Dizendo que ia me buscar no Centro. Eu temia até por agressão física da parte dele.
Me despedi do Juan, chorando muito. Olhei em volta do apê... o sonho parecia ter acabado.
Pegamos ônibus diferentes, para que não nos vissem juntos.
Meu pai me esperou num posto de gasolina.
Entrei no carro e lá veio o sermão... disse que eu tava confuso, que não ia aceitar isso... fez uma série de perguntas ridículas de praxe, como: Quem era o ativo... se eu já tinha feito antes... como a família dele reagia com isso e se sabiam...
Esse foi o post mais difícil de escrever até hoje.
No final da conversa ele deixou bem claro, que se eu continuasse com isso tudo, poderia esquecer que tinha pai e mãe. Me senti mais indefeso do que nunca. Tava desempregado, não tinha nem onde cair morto, nem com quem ficar.
Deitei na cama, chorando. Meu celular tocou: era o Juan.
Até hoje não esqueço suas palavras: " Não se esqueça que sou seu e estarei sempre esperando por você, quando tudo isso passar... ficaremos juntos. "
Já me perguntaram o porquê da foto do Michael Douglas em meu perfil... resposta simples: gosto de homenagear grandes artistas e ele é um grande ícone do cinema das últimas décadas.
Meu filme favorito com ele é "Um dia de fúria", de 1985, onde ele sai explodindo tudo com sua raiva...
Assisti no cinema há pouco tempo "Wall Street, o dinheiro nunca dorme".
Gostei muito e descobri que era uma continuação do primeiro "Wall Street" de 1987, que rendeu ao M.Douglas o Oscar de melhor ator.
Passada toda aquela euforia de começo de namoro, carnaval, etc... eu só pensava em uma coisa: pra quem iria contar sobre meu namoro. Tivemos que escolher minuciosamente, para que a informação não chegasse até meus pais. Escolhemos como a primeira a saber uma amiga da loja: Josi. Ela quase caiu pra trás, quando contamos. Mas gostou...
Da minha parte, escolhi a Ana, pra ser a primeira a saber. Seria um caminho sem volta, caso eu tivesse alguma esperança ainda em ficar com ela, mas não hesitei.
Minha coragem foi premiada. Após conversarmos, ela ofereceu o apartamento em Niteroi, para ficar com ele nos fds. Ela tinha se separado do namorado e não queria ficar lá por um tempo, pra não ficar lembrando dele e preferiu ficar com a mãe.
Nem acreditei. Teríamos um cantinho nosso por um tempo... estávamos sem trabalhar, recebendo seguro desemprego e passamos a ir pra esse apê todo fds.
Ela foi apresentada a ele, conversaram e tudo, lá no apê... eu cheguei a deitar no colo dele enquanto conversávamos. Depois ele disse que se sentiu mal, pq ela e eu tínhamos uma história e já havíamos até nos beijado.
Compramos algumas coisas pro apê, como lençol, toalha, travesseiro e até um aparelho de dvd, que preferi dar de presente a ela, como gratidão ( o namorado quando foi embora deixou ela quase sem nada ).
Quando fiquei a sós com ele, parecia não acreditar.
É difícil descrever com palavras, mas foi o momento mais feliz da minha vida. Me sentia indestrutível, invencível, que nada estragaria aqueles momentos felizes.
A Ana era tão maneira que deixou que ficássemos na cama dela... ainda disse que não há nada que a água não lave!! rsrsrsrs
Enfim, pude tomar banho com ele, como um casal normal, dormir ao lado dele, vê-lo acordando... ir na padaria comprar pão, voltar e ver ele arrumando a casa... era tudo perfeito.
Ficávamos na cama, na maioria do tempo... ou transando ou conversando sobre tudo o que passamos antes do namoro. Vimos que na verdade conhecíamos pouco um do outro.
O tempo tava chuvoso, agradável pra ficar junto com quem se ama...
Levei uns filmes e pipoca pra assistirmos. Eu deitava no colo dele no sofá e às vezes até dormia...
Nessa época, ouvia muito as músicas da Sarah Mclachlan. Percebi que haviam umas músicas de duplo sentido, que o público gay poderia adotar. Como a canção "Elsewhere", que tem uns trechos bem interessantes e uma frase marcante: " I believe this is heaven to no one else but me... and I'll defend it as long as i can be... "
Essa música traduz muito bem o significado daquele lugar pra mim e o quanto estar com ele era importante e essencial. Posto aqui a tradução da música completa :
Para meus pais, parecia fácil a desculpa a inventar... dizia que ia pra casa da Ana, que era minha amiga há séculos e sabiam que eu tinha uma queda por ela. Deviam achar que finalmente estávamos namorando todo esse tempo. Pra família dele, a desculpa era mais esfarrapada: que ele tava comigo e com ela nesse apê... e a mãe dele na esperança de que ele estivesse gostando da Ana... rs
Termino este tópico com muita saudade dessa época, em que não havia nada pra nos atrapalhar ( trabalho, família, dinheiro, ciúmes, intrigas, etc). O sentimento estava puro, inocente até... parecíamos um só naqueles momentos. Dedico este tópico a ele, o grande amor da minha vida até hoje.
Sugestões, elogios ou críticas: me adicionem no MSN: raphael_martins_fy25@hotmail.com
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