Naquela altura do campeonato o Juan não fazia nada pra me cativar. E a Mari fazia todas as minhas vontades. A dúvida imperava na minha cabeça. Até o ciúme dele em relação à ela era moderado. Somente pra não dar o braço a torcer.
A Mari e eu não trabalhávamos mais juntos. Houve uma demissão em massa. Mas mesmo assim ela continuava vindo aqui em casa, normalmente. Na maioria das vezes ela ficava me provocando, com brincadeiras de agarrar, etc... coisa de ex-namoradas. Confesso que era difícil resistir a ela, ainda mais no meu quarto.
Em um dia em que a lua do Juan virou, ele ficou choramingando por causa da família que ia viajar. Mas chorando mesmo ! Parecia que eles estavam indo pro corredor da morte ! Tolerância tem limites, ao menos pra mim em relação a essas coisas. Eu não aguentava mais essa situação de ter que lidar com problemas alheios à relação. E quando me dei conta disso estava lá eu... deitado e com a Mari sentada ao lado da minha cama...
Ela deitou ao meu lado. Me abraçou. E começou a me beijar. E eu não parei. Eram beijos intensos, apaixonados. Por alguns instantes esqueci da vida. Mas logo caí na real. E parei.
A consciência pesou. Mesmo com um namorado que não estava nem aí pra minha existência, eu senti que fazia algo muito errado. Fiquei paralisado por ter traído alguém. E ela se sentiu humilhada com isso.
Tentei conversar com ela, mas foi em vão. Ela disse que depois disso jogava a toalha. E estava certa, pois eu não tinha nada para oferecê-la naquele momento. Por último levei- a para fazer um exame de sangue e pude ver que ela não estava grávida. Era apenas alarme falso. A menstruação dela havia atrasado. Depois disso nos afastamos. Ela seguiu seu caminho. E terminava assim esse triângulo amoroso.E lá estava eu, tendo que lidar com a triste realidade. A situação com o Juan que já estava ruim, piorou ainda mais quando contei que beijei a Mariane. Eu estava insatisfeito com ele e agora, ele comigo. A família dele viajou e não aproveitamos nem um terço dos dias em que ele ficou sozinho. O namoro entrou em uma espécie de "piloto automático". Ele, que já era de poucas palavras, foi se calando cada vez mais. E eu, me esforçava para salvar algo que não tinha salvação aparentemente.








