Forever Young

Viver para sempre ? Impossível. Viver bem ? Depende só de nós...

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Um ano se passou e ainda lembro de uma paixão fulminante ( Parte Final ).


Otávio me pediu um tempo pra pensar em como ficaria nossa relação. Ele demonstrava muita segurança: algo que eu não tinha. Sempre me considerei hiper desconfiado. Achei que ele queria terminar e que tinha dúvidas se queria continuar comigo.


Nos 5 dias em que fiquei com o Otávio, o Juan me ligou todos os dias. E eu ignorava. Depois desse tempo, passei a atender. Ele demonstrava estar mudado, diferente das outras vezes. Ele queria voltar a namorar comigo, mas não sabia que eu estava namorando. Eu deveria contar.


Resolvi contar a verdade no dia em que ele seria padrinho de casamento do irmão ( que já me sacaneou. Longa história... ). Juan ficou arrasado. E saiu com cara de choro em todas as fotos do casamento. Na verdade, ele queria que eu pedisse algo , como uma prova de amor. E eu pedi que ele deixasse de ser padrinho do fdp do irmão. Ele chorou dizendo que não podia. Então eu disse que nesse caso, ele não me amava. E chorou bastante. Fui um pouco cruel, por todo o sofrimento que passei. Precisava ser mais rígido.


Juan tinha problemas em se aceitar. Se achava feio. Não se aceitava como gay e acabava magoando a todos à sua volta. Era uma pessoa amargurada. Precisei mostrar que se ele não mudasse, eu não mais voltaria sequer a falar com ele. Foi aí que o garoto acordou pra vida. Foi como um tapa na cara. Tudo isso porque ele estava acostumado a me ter, sem se esforçar. Quando demonstrei segurança e exigi mudanças, ele foi obrigado a agir. Chegou ao ponto de criar um blog  pra tentar me reconquistar.


Enquanto isso, Otávio estava literalmente distante. Parecíamos mais amigos que namorados. Mas ele deixava bem claro que era contra eu voltar a namorar com o Juan. Tipo... não demonstrava que me amava, mas não queria me perder. A sensação que eu tinha era que ele queria ter o prazer de terminar.


Eu não sabia o que fazer. Sofria com a distância do Otávio e não sentia firmeza na mudança do Juan. Cheguei a cogitar ficar um pouco sozinho. Mas eu amava os dois, de maneiras diferentes. Na verdade eu queria uma forma de não magoar nenhum de nós três. Percebi que não seria possível.




Resolvi, após alguns dias, voltar a namorar com o Juan. Otávio ficou decepcionado e cortou qualquer tipo de contato comigo. Lembro como se fosse hoje. Ele disse que teria me esperado por todo o sempre. Não sei se era verdade, mas aquilo me marcou. Notei como eu era imaturo perto dele.


Eu nunca teria a segurança que ele demonstrava. Eu teria pirado só de saber que não poderia vê-lo durante meses. Não saberia lidar com a vontade de estar perto e não poder. E isso piorou depois que ficamos juntos, pois sabíamos o quanto era bom. Então resolvi parar por ali e manter uma lembrança boa, ao menos pra mim.


Otávio nunca mais dirigiu a palavra à mim. Fiquei muito tempo com remorso, por tê-lo feito sofrer. Cheguei a criar um MSN fake só pra tentar conversar com ele e ter notícias. Mas ele deve ter notado  e me excluiu. Acompanhava pelo Youtube os vídeos do coral que ele participava. Ele queria muito que eu assistisse a um dos ensaios, mas não deu.




Bom, não sou o He-Man, mas mostrarei minha visão da moral da história:


Será que era preciso acontecer algo deste tipo para que o Juan "acordasse" ? Porque as pessoas não podem simplesmente se dar conta e se esforçar por vontade própria? Nenhum namoro sobrevive com o esforço de apenas um dos parceiros. Os dois precisam se esforçar na mesma proporção. Ele aprendeu a lição e hoje se esforça bastante. Mas eu não queria ter feito alguém como o Otávio sofrer só pra salvar meu relacionamento .


Aprendi muito nessa relação de um mês à distância. Hoje sou menos ciumento e possessivo. Se eu conseguia confiar em alguém de outro estado, deveria ser mais fácil confiar em alguém que mora perto. E se a pessoa quiser trair, fará de qualquer jeito, sem que o outro saiba. Parte da consciência de cada um.


Não me arrependo de nada que fiz, só do que deixei de fazer. Otávio ficará pra sempre como uma boa lembrança pra mim. Ele costumava ler meu blog, não sei se continua.


Otávio, se você estiver lendo esta postagem, peço desculpas pela maneira como terminamos e por eu não ser tudo aquilo que parecia ser. Eu tinha a esperança de que desse certo, mas nem sempre as coisas acontecem como planejamos. Hoje sou feliz com meu namorado, que realmente me ama. Espero que você esteja bem.


Pessoal, desculpem a postagem enorme e cansativa... :D
Mas foi bom contar um pouco da minha história de vida...





Um ano se passou e ainda lembro de uma paixão fulminante ( parte 4 ).





A noite foi ótima. Mas estávamos com um clima de dúvida no ar: os dois pensavam no futuro da relação. Quando há conflitos logo no início de um namoro parece muito mais fácil cair fora. Ainda mais com a questão da distância e a falta de grana. Mas resolvemos tudo na conversa e ficamos aparentemente bem um com o outro.


O tempo passava muito rápido. Às vezes eu queria ter o poder de parar o tempo, pra que ele não fosse embora. Ele me fazia esquecer de todos os meus problemas e eu sabia disso. Era ilusório, pois eu teria que voltar à realidade em algum momento.


Era seu último dia no RJ. E ficou tanta coisa pendente... tantos lugares que eu queria que ele conhecesse... mas a chuva e o frio não deram trégua por 5 dias. Fiquei muito frustrado por não ter levado o Otávio à praia e a outros lugares bonitos do Rio de Janeiro.


Levei- o para se despedir do meu amigo, que trabalha em um shopping perto daqui. Aproveitamos pra ir ao cinema. Seria muito frustrante não ter ido ver ao menos um filme com ele. Vimos o filme "Thor" , na época recém lançado. E em 3D. Foi muito legal. Assistimos o filme de mãos dadas.


Na saída, fomos para um hotel próximo dali. Morri de rir, pois a recepcionista pediu a identidade dele ( já pediu pro Juan uma vez ). Tipo, fiquei com a fama de papa-anjo ! kkkkk


Transamos com um sentimento de despedida. Não assumíamos um para o outro, mas estava na cara que seria quase impossível manter um namoro à distância. As chances de dar certo eram mínimas. 


Ficamos horas olhando um para o outro, já sentindo saudade dos nossos dias inesquecíveis. Fizemos algumas promessas, do tipo torcer pelo outro independente do que rolasse dali pra frente. E prometemos nunca esquecer dos momentos que passamos juntos. Eu, como sou emotivo, acabei chorando...


Saímos de lá e fomos comer pizza. Os garçons ficaram encarando meu namorado, quase paquerando- o. É meu karma! :D


Passamos aqui em casa. A mala dele estava aqui. Era difícil segurar o choro naquela altura do campeonato. Mesmo assim, fiz questão de acompanhá-lo à rodoviária. Ficamos um bom tempo esperando o ônibus. Chovia bastante. Nos distraímos a ponto de errar a plataforma do ônibus. Quando demos conta, o ônibus já estava quase saindo. Quase não deu tempo de se despedir. Ele me deu um abraço longo e pediu pra que eu fosse forte. No fundo ele sabia que eu tinha tendência a sofrer mais nessas ocasiões.




O ônibus partiu. Coloquei óculos escuros pra esconder as lágrimas. Fiquei inerte ali, por alguns minutos. Ele me ligou 2 minutos depois, de dentro do ônibus, se despedindo novamente e vendo se eu estava bem.


Deixei a rodoviária desolado, na chuva. Na verdade, nada me importava naquele momento. Me sentia impotente, por não poder mantê-lo por perto por mais tempo. Dizem que dinheiro não traz felicidade, mas neste caso mandaria buscar.


Me sentia sem rumo. Mesmo na chuva, resolvi ir para a praia, ver o mar e curtir minha fossa. Parecia que todos os meus problemas voltaram à tona ao mesmo tempo. Eu estava de volta à realidade. Teria que me conformar com isso.


Quando voltava da praia, meu ex- namorado ( Juan ) me ligou pra conversar. Naquela altura ele não sabia de nada sobre meu namoro com o Otávio.

Continua na próxima postagem ( a última )...

Um ano se passou e ainda lembro de uma paixão fulminante ( parte 3 ).



Após uma boa noite de sono, acordamos. Meu amigo saiu pra trabalhar e nos deixou a sós. Deu pra aproveitar bastante. Aproveitamos o momento pra trocar carícias.


Tive que voltar pra casa, até pra dar sinal de vida e trocarmos de roupa, etc. Ficamos conversando durante horas, até porque minha mãe estava em casa. Era uma sexta feira. Planejava levá-lo ao teatro, mas chovia bastante. Meus pais saíram pra uma festa e nos deixaram sozinhos. Otávio pediu pra ficarmos em casa mesmo e assistir um filme. Fiz o que ele pediu. Ficamos deitados abraçadinhos vendo filme, com a chuva rolando lá fora.


Na volta, minha mãe falou que ele poderia dormir aqui. Dormiu na sala, pra não criar problemas. e cadê que eu conseguia dormir, sabendo que ele estava na sala? Volta e meia eu acordava e ficava admirando aquele garoto dormir. Sim, pareço psicopata, mas fazer o quê? Até foto dele dormindo eu tirei. Acho lindo.


No dia seguinte, fomos a um evento de animes, em Niterói. Ele foi com um chapéu do Naruto e eu com uma camisa do Hyoga de Cisne. Apesar de longe, o evento estava bem legal. Aproveitamos pra comprar algumas tranqueiras típicas de nerd, como camisa, broche, etc.


Ele não queria que eu gastasse dinheiro, mas comprei uma caneca que ele gostou mas achou cara. Claro que escondido. E quando dei a ele o presente ele não aprovou. Não queria que eu gastasse com ele. Foi a nossa primeira discussão. Fiz cara de choro, por não suportar ingratidão. Ele se desculpou depois.


Nesse dia em Niterói convidei dois amigos furões pra conhecerem meu namorado ( JC Vanelis e Marceli ), mas os dois furaram e depois contaram o mimimi de sempre...






Essa noite seria diferente das anteriores. Dormiríamos em um motel. Ele disse que eu estava gastando demais e se ofereceu pra pagar desta vez. Aceitei, estava quase falido mesmo. :D
Mas foi um motel top de linha, com hidro, sauna e tudo mais... digno do nosso bom momento.


Na hora da transa, pra variar, inovamos. Tudo era diferente, tudo parecia inédito quando fazia com ele. Foi uma ótima noite. Nessa noite, aliás... ele demonstrou seu lado cri-cri virginiano e cismou de me enxugar após o banho. Eu tenho o péssimo hábito de quase não me secar e sair molhando tudo. Ele achou isso um absurdo e secava até meus pés. Achei engraçado e resolvi não contrariar... rs.






Acordamos. E surgiu mais um conflito. Eu adoro sexo, em quantidade. Se bobear, transo 3, 4 vezes seguidas. Sou bem insaciável. Ele disse que curte no máximo 2 vezes. Achei um desperdício, afinal ficaríamos pouco tempo juntos. Ali acho que os dois pensaram que seria o prenúncio do fim. Discordâncias na hora do sexo nem sempre acabam bem. Mas resolvemos deixar pra acertar isso depois, pra não estragar o bom momento.

Continua na próxima postagem...


Um ano se passou e ainda lembro de uma paixão fulminante ( parte 2 ).



Estávamos separados por muitos quilômetros. E pior: sem grana. Mas a vontade era enorme de abraçar, estar ao lado um do outro. Foi quando eu recebi um dinheiro do plano de previdência privada da empresa no qual fui demitido . Juntamos esse dinheiro com um trocado que ele tinha e a viagem estava marcada. A princípio seria de avião, mas as passagens promocionais eram na maioria com 1 mês de antecedência. Não dava pra esperar. 


Ele concordou em vir de ônibus pro RJ. Seriam mais ou menos 14 horas de viagem. Ele saiu do Paraná no dia 04 de maio. Chovia muito e a viagem demorou mais do que o planejado. Era difícil conter a ansiedade. Ele me ligou em uma parada em SP. Contava as horas. Era difícil dormir.


Cheguei à rodoviária às 9hrs da manhã. E nem me importei em acordar cedo. Queria vê- lo, de qualquer forma. Havia um lugar para aguardar o embarque. Otávio me liga dizendo que está descendo a serra e a ligação cai. Tento ligar e dá fora de área. Inquieto, eu perguntava à moça do guichê pelo paradeiro do ônibus. 


Já eram 11hrs e nada do ônibus. Duas horas esperando pareceram uma eternidade. Eis que minutos depois, ele surge. E lá vem o Otávio, de casaquinho preto, contrastando com a pele hiper branquinha. Lindo, muito mais do que imaginei. E um sotaque encantador, típico do sul.


Viemos pra minha casa, após conversar muito no ônibus. Parecia que já nos conhecíamos há anos. Eu me sentia muito atraído e apaixonado por ele, mas não sabia se ele sentia o mesmo.


Inventei pra minha mãe que o Otávio era um amigo da minha época de adolescência e que veio do Paraná pra um evento de animes em Niterói. O curioso é que iríamos mesmo ao tal evento. Ele conquistou minha mãe pelo papo. Elogiou a comida e ajudou a lavar a louça. A desculpa meio do evento meio que colou, mas mesmo assim preferimos não ficar por aqui. 


Ele me surpreendeu e trouxe na bagagem uma caixa de trufas recheadas caseiras. Ele mesmo fez pra mim. A caixinha era muito bonita. Nunca esquecerei o que estava escrito no laço: " Irresistível feito você " . Me senti o máximo ! :D


Concordamos em ir para algum lugar para ficarmos a sós. Quando nos preparávamos pra sair, lhe dei um beijo. A química prometia.


Fomos pra um hotel. Ele precisava de um banho, após a longa viagem. Otávio demonstrava timidez, com receio de trocar de roupa perto de mim. Mas logo isso foi passando. A vontade de fazer aquela loucura toda da viagem valer a pena falou mais alto.


Foi uma transa diferente de tudo o que eu já havia experimentado. Ele demonstrava experiência e que sabia o que estava fazendo na cama, coisa que eu não estava acostumado, pois meio que moldei meus namorados anteriores.


Ele era tão branquinho, que qualquer apertão ou mordida de leve o deixava vermelho. Achava isso o máximo... rs. Beijava muito bem, de um jeito carinhoso. Adorava ficar abraçadinho na cama, conversando. O tempo parecia parar nesses momentos com ele.


Combinei com meu amigo Marco de levá-lo à Lapa e depois dormir na casa dele. Eles se deram bem. Ficamos pouco tempo na Lapa, pois o Otávio estava cansado da viagem e com muito sono. Mas foi o suficiente pra que um conhecido do meu amigo se interessar pelo meu namorado... rs. Otávio percebeu isso e me deu a mão. Achei lindo demais. Saímos dali de mãos dadas ( a Lapa é um lugar acolhedor para os gays ).


Ficamos mofando esperando um ônibus. Só conseguimos condução lá pelas 3hrs da madrugada. Meu amigo veio conversando com dois caras visivelmente bêbados e alegres. Otávio ao meu lado, dormia, apoiado no meu ombro. Um dos caras que papeava com meu amigo não parava de olhar pro meu namorado. Eu o encarava como um cão raivoso.


Chegamos na casa do meu amigo. Otávio já molinho de sono. Dormimos juntos pela primeira vez. Foi ótimo.






O Juan tentou contato comigo, mas ignorei. Ele então tentou contactar esse meu amigo, que estava " acobertando" meu novo namoro. Preferi não falar nada pro Otávio, pra não estragar o momento.


Continua na próxima postagem...





Um ano se passou e ainda lembro de uma paixão fulminante ( pt 1 ).



Fugirei um pouco da ordem das postagens contando minha história. Mas precisava muito escrever sobre isso. É quase que um tabu até hoje falar sobre o que ocorreu em meados de maio de 2011.


Eu estava solitário. Separado do Juan e recém - demitido de um emprego no qual eu depositava muitas expectativas. Em outras palavras, eu estava um barco à deriva. Já postava por aqui, mas tinha poucos amigos naquela altura do campeonato ( resumiam- se ao Ro Fers e ao JC Vanelis ).


Estava tão decepcionado com o Juan que passei um bom tempo evitando qualquer tipo de contato. Eu estava de saco cheio. Estava ansioso por alguma mudança drástica na minha vida. Queria algo diferente de tudo que já havia feito. Sair da rotina, me arriscar.


A vida nos dá compensações. E me impressiono com isso. No mesmo dia da minha demissão, eu estava arrasado. Não conseguia dormir. Não havia ninguém on-line. Nem no MSN, nem no Facebook. Eram 4 hrs da madrugada. Resolvi entrar no chat UOL de amizade. Conheci um paranaense chamado Otávio. Depois desse dia nunca mais fui o mesmo.


Otávio era um garoto adorável. Com 22 anos de idade, morava com a mãe e o irmão. Branquinho, como a maioria dos sulistas. Devia ter 1,72m. E lindos cabelos lisos escuros. Era jovem, mas divorciado. Foi casado por 2 anos e o ex- marido virou evangélico e ex- gay ( sim, é verdade! ). Estava quase terminando o curso de agronomia na faculdade, mas seu sonho era cursar gastronomia, em seguida. Jogava vôlei com os amigos nos finais de semana. E era integrante de um grupo de canto, que por sinal lhe fazia muito bem.


A princípio ficamos amigos. Tínhamos interesses em comum, como boa música e animes. Mas eu sentia algo diferente nele. Talvez tenha surgido da minha tendência a gostar de pessoas com alguma ferida grave ( no caso dele, o divórcio e o desânimo com relacionamentos ).


Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo...


Resolvi arriscar. Perguntei a ele se topava namorar de brincadeira, de forma on- line. E ele topou. E ficou horas tentando achar um apelido carinhoso pra me chamar.


Trocamos número de celular e a conexão só crescia. O plano infinity nos proporcionava falar por horas e horas, por apenas 25 centavos. Em nenhuma outra época eu poderia me dar a um luxo desses ( de falar horas com alguém de outro estado ) , ainda mais desempregado.


Em pouco tempo nos apaixonamos, um pelo outro. As longas conversas no telefone proporcionou- nos uma boa noção de como nos comportaríamos namorando sério. Eu estava muito envolvido. Respirava essa relação. Era como uma espécie de fuga de todos os problemas, naquela época. Nada mais importava. Não ligava de estar desempregado e parado em casa. Meu único desejo era de conversar horas e horas com o Otávio... e de saber mais e mais sobre ele. Tudo nele era interessante naquele momento.


Ainda assim, faltava algo. Eu precisava vê-lo. A web- cam não era suficiente. As conversas evoluíam. Mas faltava o toque da pessoa amada. As declarações de amor eram intensas e tudo parecia eterno. Mas como trazê- lo aqui? Eu estava desempregado, ele também. Passagens são caras e estadias em hotel também.


Mas estávamos dispostos a qualquer sacrifício pra tornar esse desejo realidade.


Continua na próxima postagem...


Minha história - Julho de 2009: Traição anunciada.

Na postagem anterior contei da viagem da família do Juan e do assunto mal resolvido com a Mari. Pois bem, há certas coisas que não podemos simplesmente empurrar com a barriga por muito tempo...


Naquela altura do campeonato o Juan não fazia nada pra me cativar. E a Mari fazia todas as minhas vontades. A dúvida imperava na minha cabeça. Até o ciúme dele em relação à ela era moderado. Somente pra não dar o braço a torcer.

A Mari e eu não trabalhávamos mais juntos. Houve uma demissão em massa. Mas mesmo assim ela continuava vindo aqui em casa, normalmente. Na maioria das vezes ela ficava me provocando, com brincadeiras de agarrar, etc... coisa de ex-namoradas. Confesso que era difícil resistir a ela, ainda mais no meu quarto.


Em um dia em que a lua do Juan virou, ele ficou choramingando por causa da família que ia viajar. Mas chorando mesmo ! Parecia que eles estavam indo pro corredor da morte ! Tolerância tem limites, ao menos pra mim em relação a essas coisas. Eu não aguentava mais essa situação de ter que lidar com problemas alheios à relação. E quando me dei conta disso estava lá eu... deitado e com a Mari sentada ao lado da minha cama...


Ela deitou ao meu lado. Me abraçou. E começou a me beijar. E eu não parei. Eram beijos intensos, apaixonados. Por alguns instantes esqueci da vida. Mas logo caí na real. E parei.


A consciência pesou. Mesmo com um namorado que não estava nem aí pra minha existência, eu senti que fazia algo muito errado. Fiquei paralisado por ter traído alguém. E ela se sentiu humilhada com isso. 


Tentei conversar com ela, mas foi em vão. Ela disse que depois disso jogava a toalha. E estava certa, pois eu não tinha nada para oferecê-la naquele momento. Por último levei- a para fazer um exame de sangue e pude ver que ela não estava grávida. Era apenas alarme falso. A menstruação dela havia atrasado. Depois disso nos afastamos. Ela seguiu seu caminho. E terminava assim esse triângulo amoroso.




E lá estava eu, tendo que lidar com a triste realidade. A situação com o Juan que já estava ruim, piorou ainda mais quando contei que beijei a Mariane. Eu estava insatisfeito com ele e agora, ele comigo. A família dele viajou e não aproveitamos nem um terço dos dias em que ele ficou sozinho. O namoro entrou em uma espécie de "piloto automático". Ele, que já era de poucas palavras, foi se calando cada vez mais. E eu, me esforçava para salvar algo que não tinha salvação aparentemente. 





Julho de 2009: Realidade ou chantagem ?

A notícia da gravidez da Mari estremeceu minha vida. Não estava preparado pra algo deste tipo... ainda mais  tendo optado por me separar dela. Voltar o namoro por causa de uma gravidez seria uma solução previsível, mas que não me faria feliz. Haveria uma pressão enorme de ambos os lados das famílias. E eu estaria mais do que nunca financeiramente falido.

Tive que contar a verdade pro Juan e ele demonstrou até certo ponto maturidade. Óbvio que nos olhos dos outros é refresco... não seria ele o excluído socialmente nos próximos 15 anos... Bom, deu pra perceber a fobia que tenho dessa idéia, né? Pois bem...

Eu sentia falta de passar um tempinho com ela e parecia que com a notícia haveria uma boa desculpa pra isso. Ela não contou pra ninguém lá no trabalho e nem em casa. Eu também fiquei calado aqui em casa. Procurei deixar bem claro que não ia deixar faltar nada pra ela, mas que isso não significaria que voltaríamos a namorar.



Passado o baque da notícia, o Juan me perguntou se ela fez algum teste de gravidez ou exame. Sinceramente nem havia pensado nisso... acho que não é algo que se deve brincar ou omitir... mas ela não havia feito nenhum dos dois...

Simultaneamente a tudo isso, a família do Juan estava prestes a viajar pro MT. A família do padrasto dele era de lá e chegaram a cogitar de se mudarem pra lá definitivamente. Ele não me dava o mínimo de certeza de que ficaria comigo, independentemente da aventura da família dele em ir pro pantanal morar com os jacarés...
Isso me deixava muito inseguro ( mais ainda ). 

Foi nessa época que comecei a ver a família dele como um obstáculo pra nossa relação. Passei a olhar pra eles de outra forma e alimentar uma certa rivalidade sobre quem pode mais. O Juan vinha com um papinho de que seria difícil ficar sem a mãe, etc... mas ela, pelo visto só pensava no casamento dela e não estava nem um pouco preocupada com o futuro do namoro do filho... afinal, ela já estava no 4º casamento e além do meu namorado tinha mais 3 filhos.

Em contrapartida, a Mariane, decidida, me tratava com prioridade e deixava bem claro que ninguém iria se intrometer na nossa relação. Fiquei numa sinuca de bico !

Mas e o exame ? 



Convenci a Mari a fazer o tal exame de gravidez...
Deu negativo... era só uma menstruação atrasada !

Confesso que me senti aliviado, mas isso não nos afastou.
Preferi não contar sobre o exame pra ele, porque senão ele me obrigaria a ficar longe dela...

A família dele ficaria fora por uma semana. Mesmo com todo o ocorrido, pensei em aproveitar o máximo o tempo à sós com ele, pois desde o nosso início de namoro não tivemos privacidade.
Mas pelo visto ele não pensava como eu...



Junho de 2009: Uma verdade indigesta e o fim de um ciclo na minha vida...




Um mês se passou após o término com a Mariane. Mas ela ainda se culpava pelo que aconteceu. 
Não era justo, pois a maior parte da culpa era minha.
Conversando com ela, aos poucos, eu sentia que ela tinha maturidade pra encarar a verdade.
Era o mínimo que eu poderia fazer...


Cheguei a pedir a opinião do Juan sobre essa decisão. Ele disse que não ia dar certo, que ia magoá-la mais ainda, etc... 
Mas eu já estava decidido ( pra variar).
Tive que me preparar psicologicamente pra isso... imaginem dizer pra uma garota que terminou com ela pra ficar com um garoto. Tenso demais né?


Chamei ela pra conversar a sós, depois do expediente.
Escolhi um lugar calmo, quase que isolado pra ter essa conversa séria com ela, sem intromissões alheias...




Ela já estava com a cabeça a mil. 
Chegou a pensar que eu fosse pedir pra voltar.
Aliás, todos lá no trabalho acharam isso, quando viram que saímos juntos...


Bom, eu não podia mais adiar essa verdade.
Sentamos num banquinho, num campo bem verde, praticamente igual ao dessa foto e comecei a falar...


- Mari, tenho que te falar a verdade sobre o término do nosso namoro...


E ela: 
- Fala logo, por favor... ( bem ansiosa)


E fiz o que ela pediu:
- A Ana, que eu falava que era minha namorada existe, mas não namora comigo...


- Hã ??


- Na verdade eu namoro um garoto, há algum tempo...


( ela ficou meio pálida, mas demonstrou naturalidade )


- Mari, fale alguma coisa. Eu não contei antes pra não te magoar...


- Não, tudo bem. Eu já achava que essa história tava mal contada... 


( me espantei com a maturidade dessa garota de 20 anos! )






- Então podemos ser amigos ?


- Eu também tenho que te falar... isso não vai mudar em nada meu sentimento!


- Como assim ?


- Ué... eu não desisti de você ! Continuo te amando da mesma forma, até mais, se duvidar...


( fiquei sem palavras)


- E outro detalhe... acho que estou grávida... desde que terminamos que não menstruo...






Continua na próxima postagem !!

Junho de 2009: As consequências de uma decisão !

Postagem anterior, clique aqui...


Cheguei à conclusão de que em alguns casos dói menos quando terminam conosco do que ter que tomar a decisão de terminar e sair como o "carrasco" da história.


Eu estava meio perdido no início. Não sabia se me afastava dela por completo (para deixar o tempo agir) ou se tentava ficar por perto pra tentar amenizar sua dor ( mas poderia alimentar esperanças).
Na verdade era algo inédito, pois nunca tinha visto alguém sofrer por mim ( era sempre o contrário), talvez por isso eu não soubesse como reagir...
E ela me passava bilhetinhos, pedindo mais uma chance, que ia me fazer feliz, etc... 
Tudo bem que isso massageia o ego, mas era algo triste no final das contas.


Pra piorar o Dia dos namorados estava chegando. 
O Juan continuava com alguns dogmas a resolver...
Eu, como sou ansioso e prevenido, comprei os presentes dele com um mês de antecedência.
Ele me irritava com a mania de querer abraçar missões que não eram da responsabilidade dele.
Dessa vez foi o aniversário da irmã. Ele passou a semana do Dia dos Namorados pesquisando coisas pra festa. Quando chega no dia 11, ele vem me avisar que tá com dificuldade de achar algo pra mim.
* Detalhe: O aniversário da peste  irmã era bem depois do dia 12...


Nem preciso falar que isso gerou um atrito enorme. 
Esses casos de irmão protetor são bem fofinhos quando os pais já faleceram ou são ausentes. 
Neste caso, a menina tinha zilhões de pessoas que a paparicavam. Então não tinha lógica ele me relegar a segundo plano.
Sinceramente eu "brocho" com essas atitudes, de tal forma, que a data perde a graça totalmente.






Era impossível não pensar como teria sido passar o Dia dos Namorados com ela. Ainda mais com ele pisando feio na bola. 
O pior é que ela me contou que já tinha até comprado presente pra mim, por não imaginar que fosse dar errado. Na verdade, era um uniforme de estudante... aquelas saias de colegial, gravatinha borboleta e tudo mais... ela sabia que era meu ponto fraco!! rsrsrs


Pra ser sincero, ela sabia demais sobre mim pro pouco tempo que namoramos.




Este trecho da música " Pills ", da banda The Perishers, traduz muito bem o meu sentimento naquela ocasião. Queria protegê-la, mas ainda não podia falar a verdade ( que namorava um garoto).


"I hope my smile
can distract you
I hope my fists
can fight for two
So it never has to show
And you'll never know"

Tradução:

Eu espero que meu sorriso
possa te distrair
Eu espero que meus punhos
possam lutar por dois
Assim nunca dará pra notar
E você nunca saberá




Continua na semana que vem...

Maio de 2009 : Tentando tapar o sol com a peneira...



Terminar com a Mariane foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Ela não acreditou e achava que eu estava brincando. Chorou, colocou óculos escuros e  pediu para que eu fosse embora.
Fiquei olhando, de longe, ela no ponto de ônibus completamente atordoada.


Não pude falar que voltei pra minha ex ( ela achava que a Ana era minha ex ), porque senão ela ligaria pra minha casa pra saber quem era. 
Terminar com uma pessoa querida já é complicado, imaginem sem dar quase nenhum motivo pra isso. Foi o que fiz... tive que ser frio e não deixar transparecer a dúvida e a incerteza naquela decisão.






O pior foi ter que presenciar o sofrimento dela diariamente, pois ainda trabalhávamos juntos. Todos me perguntavam porque fiz aquilo com ela, que eu era um crápula, etc...


Enquanto isso, o Juan parecia satisfeito por ter vencido a "queda de braço ". Mas alguns problemas persistiam, como falta de tempo, dinheiro e intromissões da família dele entre nós...
A situação estava confortável pra ele, mais uma vez. Não precisou mover uma palha pra me ter de volta e não mudou em nada seus conceitos atrasados: continuava frio nas palavras e com problemas de aceitação perante à sociedade.


A maioria dos meus amigos foi contra o término do meu namoro, isso sem contar a pressão dos meus pais.
Minha mãe chegou a soltar essa: 
- Você não terminou com ela pra voltar com aquele viadinho não, né ?
Me limitei a mandar ela cuidar da vida sexual dela, que deve ser um tédio, pra ela se meter tanto na minha...






Apesar de todos os problemas, eu estava certo de que amava ele, acima de tudo. Mas queria um pouco mais de reconhecimento e esforço da parte dele.


As cobranças passaram a aumentar e passei a fazer algo que abomino, mas que saía instintivamente: comparar !
Comparava o que ele não fazia com o que ela me oferecia. Com o álibi de que eu poderia voltar com ela a qualquer momento, aumentei o nível das cobranças na esperança de que ele melhorasse como pessoa.


Já ouvi muita gente falar que quando amamos, aceitamos a pessoa como ela é... mas não sei se na prática funciona assim. Não acredito em altruísmo. Por isso, quando me esforço, espero reciprocidade...
As relações são pra mim uma troca de sentimentos. Mas não sobrevivem se apenas um carrega o peso sozinho enquanto o outro está de braços cruzados, na zona de conforto.


Enquanto ele se achava " invencível " , a Mariane se recuperava do baque, deixando bem claro que me queria de volta à todo custo...




Até a próxima, pessoal ! Boa semana pra vocês !!


A trilha sonora nesta época : The Calling :


                                            Letra e tradução de Final Answer ( The Calling ).

Abril de 2009, Mariane ou Juan? A decisão !

Eu sabia mais do que ninguém que o destino da minha vida afetiva estava nas minhas mãos naquele momento.


Liguei para o Juan, e disse que não sabia o que fazer. Ele falou que eu entrei nessa situação toda sozinho e que teria que sair dela sozinho também. E era verdade.
Mas como poderia terminar com ela sem me sentir culpado?
Ela terminou um namoro pra ficar comigo. Se bem que ela não era feliz com o ex...


Enquanto eu ficava na dúvida, o Juan não ficou parado. Um garoto que trabalhava com ele convidou-o pra sair e ficar. Fiquei sabendo que eles até se beijaram nas escadas do prédio onde trabalhávamos. Nem preciso dizer que isso me enfureceu...




Foi ali que parei pra pensar. Eu morria de ciúmes dele, mas não tinha ciúmes dela. Tanto que ela mantinha contato com os ex-namorados e eu não dava muita importância. Neste caso entrou a questão da sensação de posse que eu tinha com o Juan. Por ter sido o único amor duradouro e também pelo fato de que ele não teve relações com outros além de mim. Me sentia bem com isso, era uma sensação de exclusividade que não sei explicar. Hoje em dia é raro acontecer isso. 
Conheço garotos que mal chegaram aos 20 anos e já transaram com um time inteiro de futebol... 
rsrsrs ( cala-te boca !!).


Anyway... o Juan disse ao garoto que precisava se resolver comigo antes de qualquer coisa. Ele me deu um prazo de uma semana para que eu me decidisse, pois o garoto queria um relacionamento sério.
Ali eu pirei de vez... a Mariane já notava que eu estava estranho. Instintivamente, eu parei de me esforçar, queria que partisse dela enxergar que eu não era a pessoa ideal pra se namorar. 
Mas não funcionou. Ela estava mais apaixonada a cada dia que passava. Estava nas nuvens. Não conseguia nem vender direito os seguros bancários. Antes disso, ela era líder de vendas naquele setor. Eu também não estava vendendo como antes, mas ainda assim vendia mais do que ela.
Sem contar que muitos ali eram contra nosso namoro e diziam que ela era boa demais pra mim, muita areia pro meu caminhão... coisas do tipo...


A situação se tornava cada vez mais insustentável. O final de semana estava próximo. Teria que dar uma resposta ao Juan. Enquanto isso, a Mari fazia planos para comemorarmos 1 mês de namoro.


Era feriado de Tiradentes. Fomos a um aniversário de um amigo do meu pai, num sítio. Um lugar ótimo, agradável. A companhia dela era ótima. 
Mas como explicar pra mim mesmo que eu amava mais o Juan do que ela? 
Tiramos muitas fotos naquele dia, que foi especial. Meus pais estavam felizes por eu ter levado ela... poderiam finalmente mostrar a todos que o filho é hetero... mas eu deveria ficar com ela só pra satisfazer o orgulho deles? Claro que não ! E ela também merecia mais, muito mais !






Estava decidido em terminar, por vários motivos: 
* Ela poderia descobrir algo sobre minha sexualidade através de outras pessoas;
* Eu não queria, de maneira alguma ser pai;
* Essa situação de namorar, tendo os pais por perto não é pra mim;
* Ela queria ter a voz ativa da relação e não suporto receber ordens;
* Ela estava em guerra com a mãe e a qualquer momento poderia sair de casa. O que "meio" que me obrigaria a trazê-la pra casa dos meus pais e depois, apressadamente, ter que arrumar um lugar para morarmos... e o pior: sem ter onde cair morto !




De todos os motivos, o principal é que eu não suportaria ver o Juan com outro. 
Até aguentaria ver a Mariane com outro, mas ele, não...
Eu não podia afirmar que era a decisão mais correta a ser tomada, mas algo precisava acontecer.
Sentia muita falta dele e não iria, de maneira alguma permitir que outro se aproximasse. No futuro, eu poderia me arrepender, seja qual fosse a decisão.
Só havia uma certeza: eu teria que arcar com as consequências dos meus atos !






                                           Letra e tradução de "Save you", da Kelly Clarkson .









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